terça-feira, 7 de maio de 2013

MAIO/13
APÓS A SUPERAÇÃO , REINVENTAR-SE

         Nós, seres humanos, somos regidos por duas forças opostas, que os filósofos gregos antigos chamavam de Eros e Tânatos e Freud denominou pulsões: a pulsão de vida e a pulsão de morte.

         Quando se sofre uma perda marcante, a atitude mais sadia é viver intensamente este luto.
         Saber passar pela dor, sofrer e se recuperar.

         Acontecimentos ou uma forte determinação podem despertar  a pulsão de vida e nos erguer para   entrar na fase de reparação.

          Vencer, inclusive, a culpa de não se sentir mal. Porque aprendermos com o senso comum que sofrer tem algum valor nobre.

         Aqueles que de alguma forma conseguem sobreviver a perdas fundamentais, podem ser considerados possuidores de um ego forte, sempre encontram um meio de sair de uma dificuldade, por mais avassaladora que tenha sido. Como as plantinhas que  furam o solo, atravessam o cimento e se erguem – diferentes das outras, frágeis, que se afetam ao menor toque.

         Quem se deixa sucumbir não conhece sua própria força.
  

         Uma grande perda pode ser vital para um destino: aquele que sobrevive, consegue descobrir o significado que tem em si, libertando-se de papeis que desempenhava e com os quais não se identificava na família e na sociedade. Deixando de ser função para ser sujeito, enfim. Este trabalho demora muito, porque ele teme deixar de atender àqueles que lhe atribuíram os valores que sempre representou.

         Hoje em dia, com a abordagem das ferramentas prontas e fáceis, uma grande maioria não aprendeu a enfrentar dificuldades; desvia-se do que lhe parece sofrimento e com isso não elabora a perda. Por exemplo, razões para se sentir triste são desviadas e classificadas de depressões: mal se revelam e são combatidas com medicamentos que anestesiam o sentir: a  partir do confronto com a perda, o sujeito se fortalece, descobre soluções.


         Em primeiro lugar, vamos ver o que favorece a existência de um ego forte: - bem no início da vida, aos dois, três anos , a criança começa a se estruturar emocionalmente; se formos examinar, na maioria dos casos,  encontra-se alguém que  lhe infundiu afeto, ou, pelo menos, atenção de alguma forma; pode ser mãe, pai, avó, um cuidador, alguma  babá. O pouco de confiança no mundo que essa pessoa em seu início de vida experimentou, pode garantir-lhe a força para descobrir saídas em obstáculos futuros. Foi deixado nela, em semente, um pequeno mas precioso reforço de pulsão de vida.


         O trabalho da psicanálise é justamente retomar a história emocional e reconhecer os bloqueios que impediram o analisando de superar suas dificuldades, conquistar com ele seu potencial criativo; representar aquela motivação, a primeira referência que talvez lhe tenha faltado.

         As pessoas que se deixam ocupar pelo desânimo e descrença o tempo todo, as que desistiram de buscar alternativas novas com medo de fracasso, são, em geral, as que, submetidas à pulsão de morte,  perderam forças, submissas à classificação de doentes. Ao se chegar a esse ponto, é preciso um esforço bem maior para reverter o processo.

         Passo a passo, observando o próprio comportamento, reconhecendo o que pode dar certo, pronto para recomeçar, quando visto que o rumo foi mal sucedido, o que todos precisam, cada vez mais, é da coragem de se superar. E, depois, ir além:  reinventar-se.

         Não há receitas. È seguir o impulso que nasce do mergulho em seu mundo interior.

         Despido dos apegos de valores já perdidos, de opiniões externas, cada um tem em si uma resposta única.

Como disse George Eliot:

 “Nunca é  tarde demais para ser aquilo que sempre se desejou ser.”


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