A FELICIDADE ESTÁ NO OUTRO?
Comentando com uma amiga sobre alguém maravilhoso que viveu a vida inteira com uma esposa mergulhada na depressão, logo ele, que tinha tanta sabedoria para dar, ela respondeu que talvez essa era uma forma de ele ajudar, ser generoso. Pensei, mas não quis interromper, que esse fato prova que não é o outro que precisa ser perfeito para sermos felizes, mas depende da nossa mente. Assim, se você troca de amigos, namorado, marido, não adianta, sua insatisfação continua, se você não mudar sua mente. É do seu mundo interior que provém o inferno ou bem-estar.
Jean-Paul Sartre já escrevia: o inferno são os outros... era uma ironia, no fundo ele sabia que a angústia está na gente.
Tudo depende de nós estarmos bem, sermos a pessoa certa, primeiro, depois com o outro, e não viver procurando a pessoa certa, buscando a solução no outro. Ninguém aguenta esse peso, nem deve esvaziar sua vida assim. Cada um precisa ser inteiro. Veja no “O Profeta”, de Gibran Khalil Gibran, o capítulo sobre o amor, quando ele diz mais ou menos isso: bebais juntos, mas não da mesma taça. E um dos meus autores favoritos, Rainer Maria Rilke, poeta alemão, diz que os muito jovens não sabem amar, porque na ânsia de se entregarem completamente, eles se esparramam um no outro, perdem os limites; em linguagem psicanalítica, ficam fusionados.
Quando compartilhamos grande parte do nosso tempo com alguém que não podemos ajudar, gera uma frustração, ficamos infelizes também. Principalmente quando conseguimos, sendo terapeutas, colaborar para tantas pessoas, os analisandos, melhorarem suas vidas. Só que aquele que busca uma terapia investe numa mudança para eliminar o que o impede de evoluir, está determinado a enfrentar e vencer os desafios, paga por isso. O pagar significa deixar outros valores, quando necessário, e priorizar a compreensão do que deve perceber para viver melhor, encontrar a felicidade possível.E sempre existe uma felicidade possível.
O psicanalista que ama seu ofício, no meu pensamento, vê nele uma missão para o encontro da verdade de cada um. A partir desse encontro, acontece o necessário estado de harmonia. Enxergar a harmonia é penetrar no mundo das leis onde cada significado ocupa seu lugar, as pessoas, coisas e realizações revelam seus limites, seus tempos, suas soluções.
CONCLUINDO, UMA MENSAGEM PARA 2012:
ESSE ALGUÉM
O que todos desejamos para partilhar nossos momentos?
- Alguém que seja saudavelmente alegre, quer dizer, alegre com simplicidade, sem cobranças, sem exigências. Sem pesar na nossa mente com problemas superficiais (aqueles que daqui a cinco anos não vão ter o menor significado e que acabam gastando a energia de dias, anos, vida).
Não queremos por perto, se pudermos escolher – e sempre podemos - mesmo que o preço seja alto- alguém que imponha seus caprichos, suas vaidades – suas neuroses mal resolvidas.
Queremos perto – não juntíssimo, sufocando – alguém que nos dê espaço para simplesmente vivenciarmos nossa paz conseguida.
Com quem, enfim , soltar nossa criança e brincar junto!
Para termos alguém assim ...
Primeiro precisamos ser esse alguém!
domingo, 25 de dezembro de 2011
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
T.Nov/11
COSTURANDO A VIDA
Um dos livros que me marcaram muito: “O Tempo Entre Costuras”, de María Dueñas.
É uma obra que trata de superação. Ou resiliência, a capacidade de crescer na adversidade. Uma mulher que parte de uma realidade ingênua, sem recursos, sem cultura, a única coisa que sabia fazer bem era costurar. Ainda não tinha aprendido nem a valorizar seu próprio trabalho quando se vê lançada a um mundo ameaçador. Não se conhecia, não tinha provado o sabor da coragem. É explorada, roubada, mas não se dá por vencida. Entre as frases significativas que marcam os retalhos do seu caminho, escolhi:
“...e eu me deixava levar, transformada em sua sombra, em uma presença quase sempre muda...”
“Um dos efeitos da paixão louca e obcecada é que anula os sentidos para perceber o que acontece à sua volta...”
“Deixava para trás um passado complexo e, como em uma premonição, à frente se abria uma magnitude de espaço nu que o tempo se encarregaria de ir preenchendo. Preenchendo com quê? com coisas e afetos. com momentos, sensações e pessoas; enchendo-o de vida.”
Poucas vezes li a definição de vida com tanta leveza e sabedoria.
“Mas errei, como quase sempre se erra quando construímos concepções com base no frágil apoio...”
“Deixei para trás uma camisola alheia e a marca de meu corpo nos lençóis. O medo não quis ficar, foi comigo.”
A estória toda nos mostra que, quando se decide com determinação, os fatos ajudam .
A protagonista revela, diante de todas as dificuldades, capacidade de adaptação rápida a situações desafiadoras, o que indica alto controle das emoções.
Em psicanálise, quando se observa um perfil, pode-se estabelecer a diferença de quem passa uma imagem mentirosa porque acredita nela e de quem finge; o saber que está fingindo é mais sadio emocionalmente que o misturar-se às próprias fantasias.
A superação atravessa o texto em vários níveis: quando ela cria um personagem que serve de um falso eu para se defender em tempo de revolução e guerra; quando ela sabe que pode se desfazer dele e só usar quando está em perigo de vida; quando ela tem plena consciência de que não gostaria de fingir, que só mente o necessário para ajudar seu país e a si mesma .
Ao crescer, ao ser ela mesma entre os amigos, ao ter que representar para sobreviver, em todos os tempos assiste-se às mudanças sofridas em seu interior, passando de uma moça frágil e melancólica, joguete nas mãos de manipuladores, para ocupar o espaço de dona do seu destino. De sombra passa a viver com luz própria, iluminando o próprio caminho à frente.
“Já era hora de exigir ver a luz.”
Reunir os cacos, os retalhos do sofrimento... a vida pode ser uma colagem artística dos pedaços da dor.
Um dos livros que me marcaram muito: “O Tempo Entre Costuras”, de María Dueñas.
É uma obra que trata de superação. Ou resiliência, a capacidade de crescer na adversidade. Uma mulher que parte de uma realidade ingênua, sem recursos, sem cultura, a única coisa que sabia fazer bem era costurar. Ainda não tinha aprendido nem a valorizar seu próprio trabalho quando se vê lançada a um mundo ameaçador. Não se conhecia, não tinha provado o sabor da coragem. É explorada, roubada, mas não se dá por vencida. Entre as frases significativas que marcam os retalhos do seu caminho, escolhi:
“...e eu me deixava levar, transformada em sua sombra, em uma presença quase sempre muda...”
“Um dos efeitos da paixão louca e obcecada é que anula os sentidos para perceber o que acontece à sua volta...”
“Deixava para trás um passado complexo e, como em uma premonição, à frente se abria uma magnitude de espaço nu que o tempo se encarregaria de ir preenchendo. Preenchendo com quê? com coisas e afetos. com momentos, sensações e pessoas; enchendo-o de vida.”
Poucas vezes li a definição de vida com tanta leveza e sabedoria.
“Mas errei, como quase sempre se erra quando construímos concepções com base no frágil apoio...”
“Deixei para trás uma camisola alheia e a marca de meu corpo nos lençóis. O medo não quis ficar, foi comigo.”
A estória toda nos mostra que, quando se decide com determinação, os fatos ajudam .
A protagonista revela, diante de todas as dificuldades, capacidade de adaptação rápida a situações desafiadoras, o que indica alto controle das emoções.
Em psicanálise, quando se observa um perfil, pode-se estabelecer a diferença de quem passa uma imagem mentirosa porque acredita nela e de quem finge; o saber que está fingindo é mais sadio emocionalmente que o misturar-se às próprias fantasias.
A superação atravessa o texto em vários níveis: quando ela cria um personagem que serve de um falso eu para se defender em tempo de revolução e guerra; quando ela sabe que pode se desfazer dele e só usar quando está em perigo de vida; quando ela tem plena consciência de que não gostaria de fingir, que só mente o necessário para ajudar seu país e a si mesma .
Ao crescer, ao ser ela mesma entre os amigos, ao ter que representar para sobreviver, em todos os tempos assiste-se às mudanças sofridas em seu interior, passando de uma moça frágil e melancólica, joguete nas mãos de manipuladores, para ocupar o espaço de dona do seu destino. De sombra passa a viver com luz própria, iluminando o próprio caminho à frente.
“Já era hora de exigir ver a luz.”
Reunir os cacos, os retalhos do sofrimento... a vida pode ser uma colagem artística dos pedaços da dor.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
T.outubro 11
O QUE ANTES ERA SONHO... VIROU UMA ROTINA CANSATIVA.
...Mas pode se transformar num sonho realizado novamente!
Tanto esforço, tanta luta... para estudar, para conseguir um trabalho, adquirir uma moradia... para se casar!... e, depois de um tempo, a magia parece não ter mais poder, nada mais faz sentido... o que sobra são obrigações, deveres...rotina.
Um dia após o outro ...tudo igual, se repetindo.
Aí a vida providencia um susto: uma doença, a ameaça de perder alguma daquelas coisas conquistadas...
E o que estava quase desvalorizado pela certeza da posse, readquire um significado especial.
Começa uma nova forma de esforço. A fé se renova; e, se for o momento, vem a solução. Recupera-se o que estava ameaçado.
Surge a oportunidade de exercer a maravilhosa prática da gratidão: a gratidão é a festa da alma.
Quem já vive em estado de gratidão por tudo, não conhece o medo de perder o que ama. Porque o está reconquistando a cada dia.
* * *
...Mas pode se transformar num sonho realizado novamente!
Tanto esforço, tanta luta... para estudar, para conseguir um trabalho, adquirir uma moradia... para se casar!... e, depois de um tempo, a magia parece não ter mais poder, nada mais faz sentido... o que sobra são obrigações, deveres...rotina.
Um dia após o outro ...tudo igual, se repetindo.
Aí a vida providencia um susto: uma doença, a ameaça de perder alguma daquelas coisas conquistadas...
E o que estava quase desvalorizado pela certeza da posse, readquire um significado especial.
Começa uma nova forma de esforço. A fé se renova; e, se for o momento, vem a solução. Recupera-se o que estava ameaçado.
Surge a oportunidade de exercer a maravilhosa prática da gratidão: a gratidão é a festa da alma.
Quem já vive em estado de gratidão por tudo, não conhece o medo de perder o que ama. Porque o está reconquistando a cada dia.
* * *
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Texto setembro/11
PROVOCAR AMOR OU REJEIÇÃO?
Quando, pelo hábito de julgar, analisar tudo, nos acostumamos a criticar , principalmente as pessoas com quem convivemos, estamos, sem perceber, ativando uma lei mental que vai atuar em nosso roteiro de vida, dificultando o que mais desejamos: viver felizes.
O mundo e os seres em nossa volta funcionam como verdadeiros espelhos, refletindo o que pensamos e devolvendo sentimentos proporcionais e semelhantes aos que projetamos.
A palavra pathos, do grego, gerou em nosso idioma a raiz de: sentir, sofrer, termos como : apatia( não sentir), empatia ( sentir o mesmo que o interior do outro), simpatia ( sentir junto).
Ao focarmos as características negativas dos outros, estamos estabelecendo uma prioridade para esses defeitos, e uma linguagem crítica se estabelece, gerando uma resposta que se alinha e amplia os nossos próprios defeitos. Nada mais eficiente para criar uma via de rejeição. Nada mais poderoso para destruir amor e amizades que estavam se construindo na admiração e confiança. Até mesmo a fé se enfraquece quando iniciamos um processo de análises das falhas.
Aí você vai comentar: então temos que evitar a observação inteligente para sermos amados?
Temos que evitar o viver se julgando juiz dos acontecimentos, centro da verdade. Temos que adquirir o hábito de olhar o outro com uma visão maior, como a mãe que recebe seu filho recém-nascido e vai colocar nele todos os significados do bem que lhe deseja. Cada vida com que nos deparamos é uma oportunidade de renascer melhor.
Está em nós escolhermos ser rejeitados, viver em guerra, ou criar a aceitação e gerar amor. Seguindo aquela orientação perfeita e boa para todos: amar ao outro como a si mesmo, tratar o outro como gostaria de ser tratado.
Quando, pelo hábito de julgar, analisar tudo, nos acostumamos a criticar , principalmente as pessoas com quem convivemos, estamos, sem perceber, ativando uma lei mental que vai atuar em nosso roteiro de vida, dificultando o que mais desejamos: viver felizes.
O mundo e os seres em nossa volta funcionam como verdadeiros espelhos, refletindo o que pensamos e devolvendo sentimentos proporcionais e semelhantes aos que projetamos.
A palavra pathos, do grego, gerou em nosso idioma a raiz de: sentir, sofrer, termos como : apatia( não sentir), empatia ( sentir o mesmo que o interior do outro), simpatia ( sentir junto).
Ao focarmos as características negativas dos outros, estamos estabelecendo uma prioridade para esses defeitos, e uma linguagem crítica se estabelece, gerando uma resposta que se alinha e amplia os nossos próprios defeitos. Nada mais eficiente para criar uma via de rejeição. Nada mais poderoso para destruir amor e amizades que estavam se construindo na admiração e confiança. Até mesmo a fé se enfraquece quando iniciamos um processo de análises das falhas.
Aí você vai comentar: então temos que evitar a observação inteligente para sermos amados?
Temos que evitar o viver se julgando juiz dos acontecimentos, centro da verdade. Temos que adquirir o hábito de olhar o outro com uma visão maior, como a mãe que recebe seu filho recém-nascido e vai colocar nele todos os significados do bem que lhe deseja. Cada vida com que nos deparamos é uma oportunidade de renascer melhor.
Está em nós escolhermos ser rejeitados, viver em guerra, ou criar a aceitação e gerar amor. Seguindo aquela orientação perfeita e boa para todos: amar ao outro como a si mesmo, tratar o outro como gostaria de ser tratado.
Texto agosto/11
AS FONTES DE ANSIEDADE
Que a maneira de viver atual nos conduz ao estresse, isso todos sabemos. Alguns até se orgulham de sua capacidade de dar conta de várias atividades ao mesmo tempo.
Já pensei assim. Mas, ao observar que o estresse gera o envelhecimento precoce e doenças graves, passei a prestar mais atenção ao problema. Quanto mais fingirmos que ele não existe, que não é perigoso, mais difícil será conseguirmos mudar nossos hábitos. E é uma questão de hábito.
O QUE GERA NOSSO ESTRESSE E ANSIEDADE?
Uma pesquisa recente, citada no canal Globonews pela psicoterapeuta Miriam Barros, informa que a mulher brasileira ocupa o segundo lugar mundial entre as mais estressadas. Na sua opinião, com a qual concordo, os principais motivos são o fato de a mulher atual criar um número muito grande de necessidades a que precisa atender.
Existe uma lista de obrigações que a mulher, principalmente a moradora de grandes centros, atualizada, prioriza como indispensáveis para cumprir. E todas parecem ocupar um grau semelhante de importância: de nenhuma está disposta
Quando observo o número de mulheres se lamentando por dores, doenças constantes e cirurgias, noto que elas não interrelacionam a doença com o motivo maior que a causou:Talvez ficando doente seja a única forma que o corpo encontra de as fazerem parar um pouco e olharem para si mesmas, para suas condições emocionais. Para terem um contato maior com o seu eu inteiro. Mas parece que passam as crises e não foi conscientizada a mensagem maior. Não estão acostumadas a lerem a informação essencial que o acontecimento lhes trouxe. Nem aprenderam a prestar atenção aos sinais com que a natureza está avisando.
Não adianta tratar do corpo com um ritmo alucinatório e depois envelhecer rapidamente pelo estresse. O estresse abre a porta da sensibilidade para o adoecimento, tira as defesas que o organismo normalmente reserva para as tarefas da vida.
Uma das grandes causas de ansiedade é se deixar de lado providências que nos deixam tranquilos depois de cumpridas. Assim, sendo uma pessoa ocupada, o indicado é retirar de uma das ações da rotina o lugar para ir ao médico e ao exame. Mas as pessoas ansiosas que não querem abrir mão de nada, colocam as ações extras e eventuais nas horas que deveriam ser de intervalo. Uma das formas de se evitar justamente o estresse é se organizar para que haja um pouco de intervalo entre uma ação e outra, porque se tudo for programado com uma hora quase em cima da outra, é certo que a agitação crescerá.
Que a maneira de viver atual nos conduz ao estresse, isso todos sabemos. Alguns até se orgulham de sua capacidade de dar conta de várias atividades ao mesmo tempo.
Já pensei assim. Mas, ao observar que o estresse gera o envelhecimento precoce e doenças graves, passei a prestar mais atenção ao problema. Quanto mais fingirmos que ele não existe, que não é perigoso, mais difícil será conseguirmos mudar nossos hábitos. E é uma questão de hábito.
O QUE GERA NOSSO ESTRESSE E ANSIEDADE?
Uma pesquisa recente, citada no canal Globonews pela psicoterapeuta Miriam Barros, informa que a mulher brasileira ocupa o segundo lugar mundial entre as mais estressadas. Na sua opinião, com a qual concordo, os principais motivos são o fato de a mulher atual criar um número muito grande de necessidades a que precisa atender.
Existe uma lista de obrigações que a mulher, principalmente a moradora de grandes centros, atualizada, prioriza como indispensáveis para cumprir. E todas parecem ocupar um grau semelhante de importância: de nenhuma está disposta
Quando observo o número de mulheres se lamentando por dores, doenças constantes e cirurgias, noto que elas não interrelacionam a doença com o motivo maior que a causou:Talvez ficando doente seja a única forma que o corpo encontra de as fazerem parar um pouco e olharem para si mesmas, para suas condições emocionais. Para terem um contato maior com o seu eu inteiro. Mas parece que passam as crises e não foi conscientizada a mensagem maior. Não estão acostumadas a lerem a informação essencial que o acontecimento lhes trouxe. Nem aprenderam a prestar atenção aos sinais com que a natureza está avisando.
Não adianta tratar do corpo com um ritmo alucinatório e depois envelhecer rapidamente pelo estresse. O estresse abre a porta da sensibilidade para o adoecimento, tira as defesas que o organismo normalmente reserva para as tarefas da vida.
Uma das grandes causas de ansiedade é se deixar de lado providências que nos deixam tranquilos depois de cumpridas. Assim, sendo uma pessoa ocupada, o indicado é retirar de uma das ações da rotina o lugar para ir ao médico e ao exame. Mas as pessoas ansiosas que não querem abrir mão de nada, colocam as ações extras e eventuais nas horas que deveriam ser de intervalo. Uma das formas de se evitar justamente o estresse é se organizar para que haja um pouco de intervalo entre uma ação e outra, porque se tudo for programado com uma hora quase em cima da outra, é certo que a agitação crescerá.
texto julho/11
APRENDENDO COM OS ÍNDIOS E A ANSIEDADE
Assistindo, mês passado, ao excelente programa Conexão Roberto D´Ávila, tive a oportunidade de ouvi-lo entrevistar o Jornalista Washington Novaes. Ele narrava sua experiência com os índios brasileiros e falou sobre uma forte característica que sempre mantiveram, mesmo às custas de perderem suas vidas, quando invadidos por estrangeiros: a liberdade. O dom de não se acostumarem a receber ordens, nem a exercerem o poder do mando e, apesar disso, seguirem normas de disciplina.
Washington Novaes observou que cada um, na tribo, tinha sua função, e não cultivavam o hábito de fazerem queixas. Deu o exemplo da relação de um casal: quando um dos parceiros notava que o outro não estava preenchendo bem suas atribuições, não reclamava direto para o companheiro: solicitava um conselho do mais sábio que, por sua vez, promovia uma reunião com toda a tribo. O assunto era colocado e, se o marido ou mulher se identificasse com o problema, “vestia a carapuça”, mudava de atitude, corrigia-se. Mas se continuasse com o mesmo defeito, não cumprindo com sua parte na relação, o cônjuge se achava no direito de se separar sem brigas ou críticas. Um exemplo expressivo de maturidade, digno de ser seguido pelas sociedades que se consideram sofisticadas...
Ninguém gosta de receber ordens, principalmente de alguém com quem convive. Nem de viver sendo criticado. Mas parece que uma força inexplicável comanda alguns comportamentos, levando principalmente os casais, pais, filhos e irmãos a desabafarem suas próprias angústias naqueles com quem convivem. Como se não aguentassem suportar a pressão que vem de dentro deles mesmos.
Observa-se, na natureza humana, uma genuína necessidade de viver em grupo, pertencer à horda, como nos ensina Freud, que considera o medo de se sentir rejeitado uma das fortes causas da ansiedade. As pessoas se unem, geram filhos, moram próximas ou junto com pais, avós, netos, justamente buscando o acolhimento e calor do afeto, mas em muitos casos, ao invés de cada um, ao registrar algum malestar interno que sofre, investigar as causas e atingir soluções, descarrega toda a pressão sobre os ombros daqueles que escolheu para compartilhar a vida. Tornando a convivência triste, desmotivadora e desastrosa.
O jornalista citou, também, a sabedoria dos índios em não repreenderem de forma agressiva as crianças. Outra lição. Se resolvemos dar filhos ao mundo, que sejam oportunidades de oferecer mais entendimento. Que possamos tornar a vida, se não uma festa constante alegria e prazer, pelo menos um campo de respeito pela sensibilidade.
Quando aprendemos, através da pesquisa de nossos problemas e defeitos, a ser pessoas melhores, o que significa um grande esforço, adquirimos a autoestima necessária para vivermos em paz conosco mesmos e podermos oferecer afeto àqueles com quem convivemos.
Assistindo, mês passado, ao excelente programa Conexão Roberto D´Ávila, tive a oportunidade de ouvi-lo entrevistar o Jornalista Washington Novaes. Ele narrava sua experiência com os índios brasileiros e falou sobre uma forte característica que sempre mantiveram, mesmo às custas de perderem suas vidas, quando invadidos por estrangeiros: a liberdade. O dom de não se acostumarem a receber ordens, nem a exercerem o poder do mando e, apesar disso, seguirem normas de disciplina.
Washington Novaes observou que cada um, na tribo, tinha sua função, e não cultivavam o hábito de fazerem queixas. Deu o exemplo da relação de um casal: quando um dos parceiros notava que o outro não estava preenchendo bem suas atribuições, não reclamava direto para o companheiro: solicitava um conselho do mais sábio que, por sua vez, promovia uma reunião com toda a tribo. O assunto era colocado e, se o marido ou mulher se identificasse com o problema, “vestia a carapuça”, mudava de atitude, corrigia-se. Mas se continuasse com o mesmo defeito, não cumprindo com sua parte na relação, o cônjuge se achava no direito de se separar sem brigas ou críticas. Um exemplo expressivo de maturidade, digno de ser seguido pelas sociedades que se consideram sofisticadas...
Ninguém gosta de receber ordens, principalmente de alguém com quem convive. Nem de viver sendo criticado. Mas parece que uma força inexplicável comanda alguns comportamentos, levando principalmente os casais, pais, filhos e irmãos a desabafarem suas próprias angústias naqueles com quem convivem. Como se não aguentassem suportar a pressão que vem de dentro deles mesmos.
Observa-se, na natureza humana, uma genuína necessidade de viver em grupo, pertencer à horda, como nos ensina Freud, que considera o medo de se sentir rejeitado uma das fortes causas da ansiedade. As pessoas se unem, geram filhos, moram próximas ou junto com pais, avós, netos, justamente buscando o acolhimento e calor do afeto, mas em muitos casos, ao invés de cada um, ao registrar algum malestar interno que sofre, investigar as causas e atingir soluções, descarrega toda a pressão sobre os ombros daqueles que escolheu para compartilhar a vida. Tornando a convivência triste, desmotivadora e desastrosa.
O jornalista citou, também, a sabedoria dos índios em não repreenderem de forma agressiva as crianças. Outra lição. Se resolvemos dar filhos ao mundo, que sejam oportunidades de oferecer mais entendimento. Que possamos tornar a vida, se não uma festa constante alegria e prazer, pelo menos um campo de respeito pela sensibilidade.
Quando aprendemos, através da pesquisa de nossos problemas e defeitos, a ser pessoas melhores, o que significa um grande esforço, adquirimos a autoestima necessária para vivermos em paz conosco mesmos e podermos oferecer afeto àqueles com quem convivemos.
domingo, 5 de junho de 2011
Texto junho/11
A BUSCA DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DA PSICANÁLISE
“NÃO FINJA SER O QUE NÃO É
E NÃO EVITE SER QUEM REALMENTE É”
Para pensar: às vezes nos apegamos a atitudes que parecem nos salvar de ameaças, posições de proteção, escudos , mas a verdadeira segurança só aparece quando nos deparamos com a consciência de nossa fragilidade e a atravessamos. Só conquistaremos o autoconhecimento dos porões de nosso inconsciente ao entrarmos em contato com nossa realidade mais profunda. Então nos tornamos mais donos de nós mesmos.
O psicanalista, na minha opinião, deve ter, sempre,como primeira meta em mente, o conhecer da estrutura do paciente:o conjunto de leis que o movem e fazem dele a pessoa que ele é.
Apesar de sua função de ouvir as queixas e todos os sintomas que o analisando traz como causa de seus sofrimentos, o analista não pode perder o olhar para chegar ao inconsciente que ainda está encoberto na vida emocional do sujeito à sua frente.A partir do histórico de toda a sua vida, o terapeuta vai identificar os registros que o marcam. No linguajar comum: seus pontos fracos. Ao descobrir essa chave, vai-se abrir um manancial de significados.
Surgirão insights” ( visão interior) que descortinarão causas de confusões, razões para dificuldades e explicações para problemas que se repetem. Melhor ainda se surgirem sonhos reveladores . Enquanto essas fragilidades não são focadas e tornadas conscientes para quem as carrega desde a primeira infância, estará repetindo padrões não resolvidos em todas as relações. Um exemplo: a pessoa troca de namorado, marido, emprego, mas sempre chega um momento em que surge uma dificuldade que vai detonar a nova situação. Em lugar de identificar a causa da dificuldade, pula para outro objeto, porque não quer ver a parte que contribui para que essas situações se repitam. Esses problemas, ainda inconscientes para o analisando, saltarão aos olhos do analista. Ele ( o analista) vai ter uma dificuldade sempre presente: sabe que ocupa no setting
( espaço onde se realiza a análise) o lugar das pessoas com quem o analisando se relaciona. Sabe, adivinha , que , uma a uma, serão projetadas,nos diálogos, as fortes negativas, a resistência do paciente em concordar com sua contribuição para a própria infelicidade. “Como? Eu queria tanto aquele namoro? Como que contribuí para aquele fim?” “Como você me diz que sabotei a terapia do meu marido, se eu queria tanto que ele melhorasse? Que forma injusta de ver!” Aí,se ele tiver muita vontade, muita raça para tornar-se uma pessoa mais bem resolvida, apesar da raiva surgida, vai permanecer no tratamento. Mas, se o orgulho ou a vontade de fugir indefinidamente dos seus problemas o mantiver preso às deficiências, o medo de descobrir mais sobre seus próprios impedimentos for mais forte, ele fugirá. E se manterá repetindo velhos defeitos, perdendo causas que poderia ganhar, até que a necessidade de se resolver seja mais forte, o sofrimento exija uma solução. E volte a se deparar com seu eu mais autêntico.
...
A missão da terapia é justamente a identificação, primeiro, da dor do outro, seguida da determinação intensa de buscar as causas e possibilitar condições para encontrar juntos a solução, mantendo uma postura profissional que deixe claro para o paciente que ele deve agir e reagir por conta própria. Superando a angústia que nos pode invadir , essa percepção do outro em todos os seus graus de sentir, alimenta, no terapeuta verdadeiramente tocado pelo amor à sua missão, uma constante e crescente decisão de estudar sempre e muito, tornando-se cada vez mais capaz de atender e ajudar. Precisa, ainda, trabalhar a sua determinação de sinalizar as causas que levaram seu paciente a se manter nas condições de sofrimento, como é o caso do que vive em isolamento e percebe a dificuldade de reverter a situação. Esse isolamento que provavelmente o trouxe para a depressão. Revendo os pontos-- momentos-chave em que foi se entregando, foi desistindo, julgando severamente aqueles que não o entenderam.
Sabendo, inclusive, que, nesse empenho de mostrar as dificuldades alheias, se sujeita à reação negativa e tentativas de crítica tentando até desvalorizar o seu trabalho, o terapeuta também não pode perder de vista sua atitude de ver na agressão emocional do paciente um sintoma e não um ataque à sua pessoa,e que, no fundo , por trás da raiva, vibra uma forte dor que precisa ser encontrada e tratada.
Na condição de psicanalistas, estamos impedidos de chorar junto, demonstrar o quanto nos comove a situação emocional daqueles que atendemos, inclusive porque sabemos que não é assim que se atua e resolve numa análise produtiva, mas nada impede de o nosso sentido maior que se expressa pela postura, que se esconde atrás da pele e do olhar, saia, num gesto invisível aos olhos humanos, e venha socorrê-lo a cada expressão, a cada palavra ouvida, a cada mão estendida levando, junto, o coração.
*
“NÃO FINJA SER O QUE NÃO É
E NÃO EVITE SER QUEM REALMENTE É”
Para pensar: às vezes nos apegamos a atitudes que parecem nos salvar de ameaças, posições de proteção, escudos , mas a verdadeira segurança só aparece quando nos deparamos com a consciência de nossa fragilidade e a atravessamos. Só conquistaremos o autoconhecimento dos porões de nosso inconsciente ao entrarmos em contato com nossa realidade mais profunda. Então nos tornamos mais donos de nós mesmos.
O psicanalista, na minha opinião, deve ter, sempre,como primeira meta em mente, o conhecer da estrutura do paciente:o conjunto de leis que o movem e fazem dele a pessoa que ele é.
Apesar de sua função de ouvir as queixas e todos os sintomas que o analisando traz como causa de seus sofrimentos, o analista não pode perder o olhar para chegar ao inconsciente que ainda está encoberto na vida emocional do sujeito à sua frente.A partir do histórico de toda a sua vida, o terapeuta vai identificar os registros que o marcam. No linguajar comum: seus pontos fracos. Ao descobrir essa chave, vai-se abrir um manancial de significados.
Surgirão insights” ( visão interior) que descortinarão causas de confusões, razões para dificuldades e explicações para problemas que se repetem. Melhor ainda se surgirem sonhos reveladores . Enquanto essas fragilidades não são focadas e tornadas conscientes para quem as carrega desde a primeira infância, estará repetindo padrões não resolvidos em todas as relações. Um exemplo: a pessoa troca de namorado, marido, emprego, mas sempre chega um momento em que surge uma dificuldade que vai detonar a nova situação. Em lugar de identificar a causa da dificuldade, pula para outro objeto, porque não quer ver a parte que contribui para que essas situações se repitam. Esses problemas, ainda inconscientes para o analisando, saltarão aos olhos do analista. Ele ( o analista) vai ter uma dificuldade sempre presente: sabe que ocupa no setting
( espaço onde se realiza a análise) o lugar das pessoas com quem o analisando se relaciona. Sabe, adivinha , que , uma a uma, serão projetadas,nos diálogos, as fortes negativas, a resistência do paciente em concordar com sua contribuição para a própria infelicidade. “Como? Eu queria tanto aquele namoro? Como que contribuí para aquele fim?” “Como você me diz que sabotei a terapia do meu marido, se eu queria tanto que ele melhorasse? Que forma injusta de ver!” Aí,se ele tiver muita vontade, muita raça para tornar-se uma pessoa mais bem resolvida, apesar da raiva surgida, vai permanecer no tratamento. Mas, se o orgulho ou a vontade de fugir indefinidamente dos seus problemas o mantiver preso às deficiências, o medo de descobrir mais sobre seus próprios impedimentos for mais forte, ele fugirá. E se manterá repetindo velhos defeitos, perdendo causas que poderia ganhar, até que a necessidade de se resolver seja mais forte, o sofrimento exija uma solução. E volte a se deparar com seu eu mais autêntico.
...
A missão da terapia é justamente a identificação, primeiro, da dor do outro, seguida da determinação intensa de buscar as causas e possibilitar condições para encontrar juntos a solução, mantendo uma postura profissional que deixe claro para o paciente que ele deve agir e reagir por conta própria. Superando a angústia que nos pode invadir , essa percepção do outro em todos os seus graus de sentir, alimenta, no terapeuta verdadeiramente tocado pelo amor à sua missão, uma constante e crescente decisão de estudar sempre e muito, tornando-se cada vez mais capaz de atender e ajudar. Precisa, ainda, trabalhar a sua determinação de sinalizar as causas que levaram seu paciente a se manter nas condições de sofrimento, como é o caso do que vive em isolamento e percebe a dificuldade de reverter a situação. Esse isolamento que provavelmente o trouxe para a depressão. Revendo os pontos-- momentos-chave em que foi se entregando, foi desistindo, julgando severamente aqueles que não o entenderam.
Sabendo, inclusive, que, nesse empenho de mostrar as dificuldades alheias, se sujeita à reação negativa e tentativas de crítica tentando até desvalorizar o seu trabalho, o terapeuta também não pode perder de vista sua atitude de ver na agressão emocional do paciente um sintoma e não um ataque à sua pessoa,e que, no fundo , por trás da raiva, vibra uma forte dor que precisa ser encontrada e tratada.
Na condição de psicanalistas, estamos impedidos de chorar junto, demonstrar o quanto nos comove a situação emocional daqueles que atendemos, inclusive porque sabemos que não é assim que se atua e resolve numa análise produtiva, mas nada impede de o nosso sentido maior que se expressa pela postura, que se esconde atrás da pele e do olhar, saia, num gesto invisível aos olhos humanos, e venha socorrê-lo a cada expressão, a cada palavra ouvida, a cada mão estendida levando, junto, o coração.
*
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Para você, que busca
Maio/2011
"Ninguém é teu inimigo, ninguém é teu amigo, todos são teus Mestres."
Estava me lembrando dessa frase... ela parece descortinar muita ilusão de nossa mente.
Realmente, as pessoas que nos mostram que não nos pertencem, ensinando-nos nossas limitações, estão nos dando oportunidade de aprendermos o desapego.
E quando conseguimos o desapego, nos libertamos. Tudo fica mais leve.
O que não significa perdermos a confiança. Confiança é fundamental. Em nós e nos que merecem. Como saber se merecem?... Observar, dar oportunidade, evitar julgamentos precipitados. Deixar fluir a comunicação.
O psicanalista Winnicott --sempre aprendo muito em seus livros -- nos ensina como é marcante na nossa história de vida sentirmos confiança: confiança no meio ambiente que nos cerca, confiança nas pessoas que nos cuidam desde cedo.
Penso na nossa missão, como terapeutas: devolver ou mesmo criar um clima emocional que passe para nosso analisando a confiança que talvez nunca tenha provado. Somente depois de experimentar o acolhimento recebido, ele, seja criança, jovem ou idoso, terá condições de abrir seu coração e buscar soluções para a sua dor. A primeira fase do nosso trabalho é favorecer para que ele identifique o que o faz sofrer; quase sempre o próprio sujeito, perdido em sua dor e confusão, não consegue nem distinguir o que tem a ser tratado. Precisa sentir profundamente que, seja o que for que nos contar de seus segredos, será recebido sem críticas por nossa mente e coração.
Em seu livro "Mulheres que Correm com os Lobos", Clarissa Pinkola escreveu :
Dizem que tudo o que buscamos, também nos busca e, se ficamos quietos,
o que buscamos nos encontrará. É algo que leva muito tempo esperando por
nós. Enquanto não chegue, nada faças. Descansa. Tu verás o que acontece
enquanto isto.
Nosso objetivo especial é buscar, junto, o caminho que vai lhe trazer a paz, a resposta, o seu bem.
Ajudá-lo a não se precipitar, em sua ansiedade. A agitação mental impede que se espere o tempo da resposta. Ajudá-lo a encontrar aquilo que está, em algum lugar do universo, também esperando por ele, para harmonizar sua existência.
"Ninguém é teu inimigo, ninguém é teu amigo, todos são teus Mestres."
Estava me lembrando dessa frase... ela parece descortinar muita ilusão de nossa mente.
Realmente, as pessoas que nos mostram que não nos pertencem, ensinando-nos nossas limitações, estão nos dando oportunidade de aprendermos o desapego.
E quando conseguimos o desapego, nos libertamos. Tudo fica mais leve.
O que não significa perdermos a confiança. Confiança é fundamental. Em nós e nos que merecem. Como saber se merecem?... Observar, dar oportunidade, evitar julgamentos precipitados. Deixar fluir a comunicação.
O psicanalista Winnicott --sempre aprendo muito em seus livros -- nos ensina como é marcante na nossa história de vida sentirmos confiança: confiança no meio ambiente que nos cerca, confiança nas pessoas que nos cuidam desde cedo.
Penso na nossa missão, como terapeutas: devolver ou mesmo criar um clima emocional que passe para nosso analisando a confiança que talvez nunca tenha provado. Somente depois de experimentar o acolhimento recebido, ele, seja criança, jovem ou idoso, terá condições de abrir seu coração e buscar soluções para a sua dor. A primeira fase do nosso trabalho é favorecer para que ele identifique o que o faz sofrer; quase sempre o próprio sujeito, perdido em sua dor e confusão, não consegue nem distinguir o que tem a ser tratado. Precisa sentir profundamente que, seja o que for que nos contar de seus segredos, será recebido sem críticas por nossa mente e coração.
Em seu livro "Mulheres que Correm com os Lobos", Clarissa Pinkola escreveu :
Dizem que tudo o que buscamos, também nos busca e, se ficamos quietos,
o que buscamos nos encontrará. É algo que leva muito tempo esperando por
nós. Enquanto não chegue, nada faças. Descansa. Tu verás o que acontece
enquanto isto.
Nosso objetivo especial é buscar, junto, o caminho que vai lhe trazer a paz, a resposta, o seu bem.
Ajudá-lo a não se precipitar, em sua ansiedade. A agitação mental impede que se espere o tempo da resposta. Ajudá-lo a encontrar aquilo que está, em algum lugar do universo, também esperando por ele, para harmonizar sua existência.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Texto abril 2011
PARA VOCÊ, QUE DESEJA RESOLVER SUAS QUESTÕES
E DAR NOVO SENTIDO À VIDA
Você sabe que pode reprogramar sua vida se exercer um bom autocontrole e não exigir que isso aconteça imediatamente? A nossa memória celular tem condicionamentos que podem ser modificados até mesmo durante uma conversa, quando acontece a troca de informações ou impressões de uma mente para a outra.
Citando Jorge Menezes, no seu livro Inteligência Quântica 2, da Hapha Editora : “ o Campo Quântico de uma pessoa interfere no Campo Quântico de outra, sempre no sentido do campo de maior frequência vibratória para o de menor frequência vibratória. “ Essa é a chamada Lei da Interferência, que vai, como ele afirma, além da “ Lei da Atração”.
Se você está decidido a melhorar sua maneira de viver, não está disposto a se manter paralisado no mesmo lugar, sem perspectiva de novas satisfações, este é o momento de você sair de sua zona de conforto e vivenciar, durante algum tempo, um bom desequilíbrio.
Por que chamo a este desequilíbrio de bom?
Lembrando que tudo que está vivo e evoluindo não se apresenta em estado de descanso, quando decidimos tomar as rédeas de nosso destino e aproveitar melhor o tempo à frente, não importa quanto seja, sabemos que uma tarefa está à nossa espera. Que serão muitos os instantes de insegurança, dúvida, desânimo. E todos eles podem ser superados pela nossa firme determinação de prosseguir.
Ao entrarmos em contato com mentes que nos ampliam a visão de mundo, revelando sentidos além dos nossos apegos e pequenos gostos, além do nosso medo de perder o que e a quem amamos, começa a se desenvolver, dentro de nós, uma espécie de radar: uma força nova sinalizando a direção a seguir.
Não exija de você mesmo estar pronto para conseguir tudo de uma só vez: o autocontrole é um trabalho que recomeçamos todo dia, nem sempre atingimos a meta desejada em cada estágio. Mas aqui vai sugerida uma espécie de treino adquirido pela insistência de quem aprendeu a se renovar:
Se você quer dar daqui para a frente uma direção feliz à sua vida, delete para sempre a memória de queixas, lamentações, não fique repetindo os eventos tristes que se passaram; eles já não existem mais, mas podem viver eternamente no seu pensamento se você não se libertar deles.
Quando desejar alguma coisa de alguém, diga claramente. Não fique esperando que o outro adivinhe seus desejos, pois quando ele não captar suas fantasias porque você não disse, aí você vai se achar no direito de ficar magoado. E vai acabar sofrendo pelo que nunca chegou a existir... não fabrique tristezas.
Preste atenção ao que o outro diz, não somente com as palavras, mas também com a expressão, com o corpo todo. Tudo em volta de nós sinaliza mensagens, procure decifrá-las e a vida se torna mágica.
Esqueça aquela atitude que talvez lhe tenham ensinado como boa, de manter-se sempre igual, de não mudar. Observe: tudo o que cresce e evolui precisa ser ajustado, adequado às novas circunstâncias. Só o que está morto não se transforma. E você pretende estar vivo, muito vivo!
Comece a não se levar muito a sério, é o primeiro degrau da sabedoria.
Deixo, com simplicidade, essas pequenas sugestões para o trabalho de busca da evolução. Procuro utilizá-los e tenho conseguido alguns bons resultados. Quando não consigo, tento de novo. Boa sorte na sua caminhada!
E DAR NOVO SENTIDO À VIDA
Você sabe que pode reprogramar sua vida se exercer um bom autocontrole e não exigir que isso aconteça imediatamente? A nossa memória celular tem condicionamentos que podem ser modificados até mesmo durante uma conversa, quando acontece a troca de informações ou impressões de uma mente para a outra.
Citando Jorge Menezes, no seu livro Inteligência Quântica 2, da Hapha Editora : “ o Campo Quântico de uma pessoa interfere no Campo Quântico de outra, sempre no sentido do campo de maior frequência vibratória para o de menor frequência vibratória. “ Essa é a chamada Lei da Interferência, que vai, como ele afirma, além da “ Lei da Atração”.
Se você está decidido a melhorar sua maneira de viver, não está disposto a se manter paralisado no mesmo lugar, sem perspectiva de novas satisfações, este é o momento de você sair de sua zona de conforto e vivenciar, durante algum tempo, um bom desequilíbrio.
Por que chamo a este desequilíbrio de bom?
Lembrando que tudo que está vivo e evoluindo não se apresenta em estado de descanso, quando decidimos tomar as rédeas de nosso destino e aproveitar melhor o tempo à frente, não importa quanto seja, sabemos que uma tarefa está à nossa espera. Que serão muitos os instantes de insegurança, dúvida, desânimo. E todos eles podem ser superados pela nossa firme determinação de prosseguir.
Ao entrarmos em contato com mentes que nos ampliam a visão de mundo, revelando sentidos além dos nossos apegos e pequenos gostos, além do nosso medo de perder o que e a quem amamos, começa a se desenvolver, dentro de nós, uma espécie de radar: uma força nova sinalizando a direção a seguir.
Não exija de você mesmo estar pronto para conseguir tudo de uma só vez: o autocontrole é um trabalho que recomeçamos todo dia, nem sempre atingimos a meta desejada em cada estágio. Mas aqui vai sugerida uma espécie de treino adquirido pela insistência de quem aprendeu a se renovar:
Se você quer dar daqui para a frente uma direção feliz à sua vida, delete para sempre a memória de queixas, lamentações, não fique repetindo os eventos tristes que se passaram; eles já não existem mais, mas podem viver eternamente no seu pensamento se você não se libertar deles.
Quando desejar alguma coisa de alguém, diga claramente. Não fique esperando que o outro adivinhe seus desejos, pois quando ele não captar suas fantasias porque você não disse, aí você vai se achar no direito de ficar magoado. E vai acabar sofrendo pelo que nunca chegou a existir... não fabrique tristezas.
Preste atenção ao que o outro diz, não somente com as palavras, mas também com a expressão, com o corpo todo. Tudo em volta de nós sinaliza mensagens, procure decifrá-las e a vida se torna mágica.
Esqueça aquela atitude que talvez lhe tenham ensinado como boa, de manter-se sempre igual, de não mudar. Observe: tudo o que cresce e evolui precisa ser ajustado, adequado às novas circunstâncias. Só o que está morto não se transforma. E você pretende estar vivo, muito vivo!
Comece a não se levar muito a sério, é o primeiro degrau da sabedoria.
Deixo, com simplicidade, essas pequenas sugestões para o trabalho de busca da evolução. Procuro utilizá-los e tenho conseguido alguns bons resultados. Quando não consigo, tento de novo. Boa sorte na sua caminhada!
segunda-feira, 21 de março de 2011
texto março/11
SABER AMAR
Você não sabe amar... mas pode aprender.
Com essas palavras termina parte da novela Por Amor, escrita
por Manoel Carlos, em que são mostradas diversas formas distorcidas
de amar.
Como aprender a amar?... Amor se aprende?
O que se busca no amor? Será que estamos amando corretamente? Somos capazes de amar?
Quem está preparado para receber o amor como prêmio que a vida oferece?...
Na amizade e no amor, muitas vezes, continuamos procurando a nós mesmos. Ficamos mais próximos daqueles que nos deixam ser como somos, sem esforço, à vontade.
Será que aquele que nos ama e apenas aceita sermos sempre iguais está sabendo, do seu jeito, amar? ... Ou somos nós que não permitimos que alguém se aproxime e nos ajude a crescer?
Bem junto ao bem do amor, muitos sofrem do medo de perder; sintoma indicando não merecer, plantado na mente desde criança, quem sabe quando ... Disfarçado em explicações cheias de lógica.
O medo de se entregar retém o prazer maior do encontro com o outro que também percebe o quanto se pode estar sozinho na multidão. .
Amar identifica. Impede que o eu genuíno se dilua, misturado anônimo ao rebanho; mas amar com dependência acaba eliminando os próprios limites numa relação simbiótica, em que os dois se misturam, perdendo a integridade individual. E, como o tempo, desgastando toda a vitalidade.
O grande desafio: estar junto mas se manter inteiro. Gostar do outro, mas, tendo aprendido a respeitar a si mesmo, a gostar da pessoa que se é.
Então, como diz o personagem da novela: aprende-se a amar. Aprende-se a arte de ser... e o amor acontece melhor. Aprende-se a trabalhar seus próprios obstáculos, tornando-se capaz de reconhecer no outro significados superados em si próprio.
O tempo todo, quem quiser uma vida entregue a um significado maior, seja de afeto pessoal, seja de uma missão, estará lapidando as questões novas que surgem. Tornando-se alguém de valor e, nessa condição, uma pessoa capaz para o amor. Pronta para aquele momento que chega em todas as vidas, do confronto: o que fiz do tempo que me foi dado? O que dá para realizar ainda? A partir daí, a consciência do que resta passará a competir com o fruir das horas. E, se no saldo não houver a consistência do afeto ligando as ações, provavelmente virá o arrependimento.
Aprender a amar, ligar-se aos que vivem perto com generosidade, calor humano, doação... ou repetir seus dias egoisticamente em estado de tristeza, aguardando o fim?
A prova manifesta desse vazio de quem sente falta da presença do afeto são os sinais da depressão. Ela se inicia na falta de interesse por fazer coisas novas, encontrar pessoas, arriscar-se num novo projeto. Continua no desânimo para o dia que começa e acaba se instalando na necessidade de recorrer a medicamentos.
É preciso muita coragem para desfazer esse estado de ânimo. Mas se houver humildade para buscar ajuda e determinação para não desistir, a solução poderá começar com a oportunidade de ser ouvido. Falar e ser ouvido é o caminho quase mágico que promove o efeito da “cura” – tecido pelo amor.
Você não sabe amar... mas pode aprender.
Com essas palavras termina parte da novela Por Amor, escrita
por Manoel Carlos, em que são mostradas diversas formas distorcidas
de amar.
Como aprender a amar?... Amor se aprende?
O que se busca no amor? Será que estamos amando corretamente? Somos capazes de amar?
Quem está preparado para receber o amor como prêmio que a vida oferece?...
Na amizade e no amor, muitas vezes, continuamos procurando a nós mesmos. Ficamos mais próximos daqueles que nos deixam ser como somos, sem esforço, à vontade.
Será que aquele que nos ama e apenas aceita sermos sempre iguais está sabendo, do seu jeito, amar? ... Ou somos nós que não permitimos que alguém se aproxime e nos ajude a crescer?
Bem junto ao bem do amor, muitos sofrem do medo de perder; sintoma indicando não merecer, plantado na mente desde criança, quem sabe quando ... Disfarçado em explicações cheias de lógica.
O medo de se entregar retém o prazer maior do encontro com o outro que também percebe o quanto se pode estar sozinho na multidão. .
Amar identifica. Impede que o eu genuíno se dilua, misturado anônimo ao rebanho; mas amar com dependência acaba eliminando os próprios limites numa relação simbiótica, em que os dois se misturam, perdendo a integridade individual. E, como o tempo, desgastando toda a vitalidade.
O grande desafio: estar junto mas se manter inteiro. Gostar do outro, mas, tendo aprendido a respeitar a si mesmo, a gostar da pessoa que se é.
Então, como diz o personagem da novela: aprende-se a amar. Aprende-se a arte de ser... e o amor acontece melhor. Aprende-se a trabalhar seus próprios obstáculos, tornando-se capaz de reconhecer no outro significados superados em si próprio.
O tempo todo, quem quiser uma vida entregue a um significado maior, seja de afeto pessoal, seja de uma missão, estará lapidando as questões novas que surgem. Tornando-se alguém de valor e, nessa condição, uma pessoa capaz para o amor. Pronta para aquele momento que chega em todas as vidas, do confronto: o que fiz do tempo que me foi dado? O que dá para realizar ainda? A partir daí, a consciência do que resta passará a competir com o fruir das horas. E, se no saldo não houver a consistência do afeto ligando as ações, provavelmente virá o arrependimento.
Aprender a amar, ligar-se aos que vivem perto com generosidade, calor humano, doação... ou repetir seus dias egoisticamente em estado de tristeza, aguardando o fim?
A prova manifesta desse vazio de quem sente falta da presença do afeto são os sinais da depressão. Ela se inicia na falta de interesse por fazer coisas novas, encontrar pessoas, arriscar-se num novo projeto. Continua no desânimo para o dia que começa e acaba se instalando na necessidade de recorrer a medicamentos.
É preciso muita coragem para desfazer esse estado de ânimo. Mas se houver humildade para buscar ajuda e determinação para não desistir, a solução poderá começar com a oportunidade de ser ouvido. Falar e ser ouvido é o caminho quase mágico que promove o efeito da “cura” – tecido pelo amor.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Texto fev/2011
A LIBERDADE QUE ESCRAVIZA
Se eu pudesse deixar algum presente para você, deixaria aceso o sentimento de amor à vida dos seres humanos. Deixaria a consciência de aprender tudo que nos foi ensinado pelo tempo afora. Lembraria dos erros que foram cometidos, como sinais para que não mais se repetissem. A capacidade de escolher novos rumos deixaria para você, se pudesse e o respeito àquilo que é indispensável, além do pão, o trabalho e a ação.
E, quando tudo mais faltasse para você, eu deixaria, se pudesse, um segredo: o de buscar no interior de si mesmo, o respeito e a força para encontrar a saída.
Gandhi
Liberdade. Esse poder sonhado pelas criaturas limitadas pela morte. Mas que carregam o infinito na alma. O que dizer, como tratar aqueles que perderam quase tudo, como nossos irmãos da região serrana? Como ainda ter coragem de falar em buscas, ideais, decisões? Confesso que estava muito difícil escrever este texto. Sei que todos temos como certeza absoluta o fim da nossa passagem, mas ao se confrontar com a dor daqueles que não estavam preparados para tanto luto, serão possíveis, aceitas, permitidas as palavras? Parece um supremo luxo o ato de escrever simultâneo ao espetáculo da tragédia presente. Mas quem está preparado? Como saber? As palavras de Gandhi, de certa maneira, me obrigaram a retomar minha forma de atender às dores da vida: ativando o pensamento e o conectando à fonte. Entregando-me e me colocando à disposição do que está por vir. E se as palavras, como o espíritos, não se tocam com as mãos, não nos abraçam, ainda são elas que nos encaminham para a compreensão de nós mesmos e daqueles que escolhemos para compartilhar. É através das palavras, meu material de trabalho, que assisto à melhora dos que começam a vencer seus obstáculos emocionais.
A liberdade. Hoje mais exacerbada que noutros tempos culturais, vem como resultado de filosofias existencialistas e do pragmatismo do descartável. Submeter-se à disciplina de valores fundamentais que reconhecem o sentido do indestrutível seria a direção a tomar.
De formas diversas deixamos que os acontecimentos nos façam parar: quando apaixonados por alguém, mobilizando nossos sentidos numa obsessão – e todas as atividades quase cessam para nos dedicarmos àquele foco; logo após fortes doenças e perdas, perdurando o tempo de nossa atenção no sofrimento, ou ainda dedicados a uma missão especial, uma vocação definida... mas existe uma forma que nos pode escapar: quando, evitando prender-se a qualquer envolvimento, nosso espírito decide não escolher entre uma e outra coisa. Experimentando a sensação de uma falsa onipotência. Sentimos como se tudo nos fosse permitido, e na divisão ambígua de dominar os dois lados, caímos noutra espécie de escravidão. Tornamo-nos incapazes de nos comprometer. Incapazes de obedecer aos elos do amor, da vocação, de nos desgastarmos numa ação nobre e aceitar os efeitos do tempo que a todos atinge. Ocupando o lugar de quem, em psicanálise, poderíamos denominar de narcisista.
A palavra decidir vem da latina decidere, que significa cortar. Para optar livremente por alguma direção, vem sempre a inevitável escolha. Lembrando-nos de que somos limitados. De que, ocupando o nosso lugar, andando num espaço, assumimos nosso lado, admitimos o outro, somamos e assim compomos uma vida mais completa. Ao querermos tudo, paralisamos, acabamos não indo para direção alguma. Perdemos o tempo, a vocação, a oportunidade. Se procurarmos ocupar bem nossa posição, e parte dela não fomos nós que escolhemos, teremos na atitude de simplicidade exercido a liberdade que nos é possível. Se o acaso do fim chegar, como sempre chega, num instante imprevisto, teremos, pelo menos, a resposta do amor e da dedicação para entregar. Como nossos outros irmãos sobreviventes, que estão oferecendo seu carinho voluntário àqueles que viram parte de si mesmos se desprender.
Se eu pudesse deixar algum presente para você, deixaria aceso o sentimento de amor à vida dos seres humanos. Deixaria a consciência de aprender tudo que nos foi ensinado pelo tempo afora. Lembraria dos erros que foram cometidos, como sinais para que não mais se repetissem. A capacidade de escolher novos rumos deixaria para você, se pudesse e o respeito àquilo que é indispensável, além do pão, o trabalho e a ação.
E, quando tudo mais faltasse para você, eu deixaria, se pudesse, um segredo: o de buscar no interior de si mesmo, o respeito e a força para encontrar a saída.
Gandhi
Liberdade. Esse poder sonhado pelas criaturas limitadas pela morte. Mas que carregam o infinito na alma. O que dizer, como tratar aqueles que perderam quase tudo, como nossos irmãos da região serrana? Como ainda ter coragem de falar em buscas, ideais, decisões? Confesso que estava muito difícil escrever este texto. Sei que todos temos como certeza absoluta o fim da nossa passagem, mas ao se confrontar com a dor daqueles que não estavam preparados para tanto luto, serão possíveis, aceitas, permitidas as palavras? Parece um supremo luxo o ato de escrever simultâneo ao espetáculo da tragédia presente. Mas quem está preparado? Como saber? As palavras de Gandhi, de certa maneira, me obrigaram a retomar minha forma de atender às dores da vida: ativando o pensamento e o conectando à fonte. Entregando-me e me colocando à disposição do que está por vir. E se as palavras, como o espíritos, não se tocam com as mãos, não nos abraçam, ainda são elas que nos encaminham para a compreensão de nós mesmos e daqueles que escolhemos para compartilhar. É através das palavras, meu material de trabalho, que assisto à melhora dos que começam a vencer seus obstáculos emocionais.
A liberdade. Hoje mais exacerbada que noutros tempos culturais, vem como resultado de filosofias existencialistas e do pragmatismo do descartável. Submeter-se à disciplina de valores fundamentais que reconhecem o sentido do indestrutível seria a direção a tomar.
De formas diversas deixamos que os acontecimentos nos façam parar: quando apaixonados por alguém, mobilizando nossos sentidos numa obsessão – e todas as atividades quase cessam para nos dedicarmos àquele foco; logo após fortes doenças e perdas, perdurando o tempo de nossa atenção no sofrimento, ou ainda dedicados a uma missão especial, uma vocação definida... mas existe uma forma que nos pode escapar: quando, evitando prender-se a qualquer envolvimento, nosso espírito decide não escolher entre uma e outra coisa. Experimentando a sensação de uma falsa onipotência. Sentimos como se tudo nos fosse permitido, e na divisão ambígua de dominar os dois lados, caímos noutra espécie de escravidão. Tornamo-nos incapazes de nos comprometer. Incapazes de obedecer aos elos do amor, da vocação, de nos desgastarmos numa ação nobre e aceitar os efeitos do tempo que a todos atinge. Ocupando o lugar de quem, em psicanálise, poderíamos denominar de narcisista.
A palavra decidir vem da latina decidere, que significa cortar. Para optar livremente por alguma direção, vem sempre a inevitável escolha. Lembrando-nos de que somos limitados. De que, ocupando o nosso lugar, andando num espaço, assumimos nosso lado, admitimos o outro, somamos e assim compomos uma vida mais completa. Ao querermos tudo, paralisamos, acabamos não indo para direção alguma. Perdemos o tempo, a vocação, a oportunidade. Se procurarmos ocupar bem nossa posição, e parte dela não fomos nós que escolhemos, teremos na atitude de simplicidade exercido a liberdade que nos é possível. Se o acaso do fim chegar, como sempre chega, num instante imprevisto, teremos, pelo menos, a resposta do amor e da dedicação para entregar. Como nossos outros irmãos sobreviventes, que estão oferecendo seu carinho voluntário àqueles que viram parte de si mesmos se desprender.
Texto janeiro 2011
ENCONTRANDO O AMOR
Quando se consegue atingir o eu real, descartando a falsa personalidade, cria-se condições para o amor sem ilusões. O amor de ilusão é aquele perdemos um dia; aquele que imaginamos ter ao lado visto pelo filtro distorcido da carência, da ansiedade, do medo de ficar só, da expectativa feita de projeção do desejo. Olhando para trás, as relações humanas que nos desencantaram só atenderam ao nosso medo, até termos conseguido tirar a casca das defesas do falso eu e sermos nós mesmos. Aquele que olhávamos não era um sujeito real.
Como superar essa questão? Se o amor só traz felicidade, por que essa dificuldade de entrega, esses disfarces gerando isolamento e não comunicação?
O medo, se por um lado impede, ao mesmo tempo aponta para o desejo; precisa ser entendido. Vamos olhar atentamente para ele, conversar com ele, descobrir o que o compõe, o que está por trás de sua aparição; desde quando ele estava adormecido e por que despertou.
Não vamos deixar nossas dificuldades e diferenças destruírem os encontros que nos fazem bem, os sentimentos que nos unem a alguém com quem nos identificamos em corpo e mente. E aqui cabem também as amizades.
Vamos refletir um pouco sobre as causas que nos afastam de nossas pessoas queridas.
Observando separações em pessoas diversas, identifico em alguns ex-parceiros exigências que poderiam ser superadas: só porque as idéias que expõem, os livros que leram – ou não - os sons que ouvem - ou não- só porque sua visão de mundo,seu gosto, sua fé diferem do que elegeram como seus favoritos, uma grande maioria se apressa em classificar de inferior aquilo com que não concorda. O que será que transforma alguns egos em autoridade e centro de critério universal, não evocando nem mesmo uma oportunidade de julgar melhor suas próprias capacidades? É o que a maioria faz, sem dar sequer oportunidade ao outro lado de defender suas posições. Aumenta a desconfiança sedimentada no orgulho. Assisto a possibilidades bonitas de relacionamentos se perderem em preconceitos.
Carlos Drummond de Andrade afirmava: Tive um amor porque mereci. Sempre repito esta frase. Gosto dela. Ela é psicanalítica: o que é ter atitude psicanalítica? Reconhecer que a causa de muito acontecimento em nossa vida está nas nossas próprias atitudes. E também: ela é esotérica: Por quê?
Nas leis que todos os mestres do pensamento nos ensinam, a causa de não conseguirmos uma graça está na nossa atitude de ressentimento, de não conseguir perdoar. Os mais elevados pensadores nos transmitem esse conhecimento, que agora repasso para quem quiser ter uma nova fase de vida mais feliz, quem quiser merecer a vida em estado de amor:
RECAPITULANDO ALGUMAS LEIS DO AMOR E DA FELICIDADE:
Em todas as linhas de pensamento, para se evoluir, isto é: sair da vida rasteira de só comer, dormir, trabalhar, reproduzir e um dia morrer...um dos itens necessários é desapegar-se do medo, das mágoas, dos ressentimentos.
Uma das formas é pedir a Deus, à Vida, ou ao que crê como fonte de graça, para receber forças no sentido de tornar-se cada vez mais o que tem que ser, quem é verdadeiramente. Entregar-se à fé. Sem essa entrega, não se faz a transformação necessária. Isso pode levar tempo Há mágoas e lembranças tristes que dificultam. Mas se insistirmos, um dia acordamos leves. O perdão se fez. Estamos prontos para a outra etapa: o merecimento: merecer o que desejamos.
Transcrevo aqui, com minhas palavras, as lições do Mestre Masaharu Taniguchi, fundador da filosofia espiritualista Seicho-No –Ie:
Às vezes, quase sempre, se atrai problemas porque não se perdoou alguém que nos magoou. Na verdade ninguém nos magoa, as pessoas agem do jeito que podem e a gente recebe suas ações como seus erros. Mas tudo o que nos acontece nos ensina alguma coisa.
Aproveitamos o que nos aconteceu ou nos feriu para aprender. A sabedoria espiritual nos ensina que a maneira de ficarmos livres da ligação com a negatividade é não apenas perdoar, mas agradecer ao que – ou a quem - nos deu oportunidade de crescer. Para isso, começamos nossa aprendizagem com a oração do perdão, que devemos repetir muito, até ter o sentimento de perdão e agradecimento dentro de nós, sentindo-nos apaziguados:
ORAÇÃO PARA PERDOAR ( de Masaharu Taniguchi)
Eu o(a) perdoei, e você me perdoou,
Eu e você somos um só perante Deus.
Eu o amo, e você me ama também;
Eu e você somos um só perante Deus.
Eu lhe agradeço e você me agradece.
Obrigado(a), obrigado(a), obrigado(a)
Obrigado(a), Obrigado(a).
Não existe mais nenhum ressentimento
Entre nós.
Oro sinceramente pela sua felicidade.
Seja cada vez mais feliz.
Deus o(a)perdoa.
Portanto eu também o(a) perdoo .
Eu perdoei a todas as pessoas. Eu acolho a todos eles
Com o amor de Deus.
Da mesma forma, Deus me perdoa os erros
E me acolhe com o seu Imenso Amor.
Quando aquele que conseguiu vencer o ressentimento pelo perdão desejar muito encontrar seu parceiro amoroso, ensina novamente o Mestre, está pronto para evocá-lo através da oração de sua autoria que copio aqui:
ORAÇÃO DA METADE DA ALMA
Ó DEUS, SEI QUE EXISTE NESTE MUNDO UMA PESSOA QUE VÓS ESTAIS RESERVANDO PARA MIM E QUE É A OUTRA METADE DA MINHA ALMA. BEM NO ÍNTIMO DA MINHA ALMA EU SEI ONDE ESSA PESSOA SE ENCONTRA NESTE MOMENTO. ONDE QUER QUE ELA (E) SE ENCONTRE, A FORÇA MAGNÉTICA DO AMOR FARÁ COM QUE NOS APROXIMEMOS INFALIVELMENTE , E ENTÃO SE DARÁ UMA UNIÃO HARMONIOSA E ABENÇOADA POR TODOS. EU VOS AGRADEÇO, DEUS, POR HAVERDES FEITO A OUTRA METADE DA MINHA ALMA, E POR ESTARDES PROVIDENCIANDO PARA NOS CONDUZIR ATÉ UM CASAMENTO FELIZ.
Completando com muito amor a direção dessas preciosas informações, para quem sabe reconhecer, indico o site http://www.gvolive.com/conference,kaanda
Texto janeiro/11
MERECENDO A GRAÇA
Mês passado, falando das condições propícias para se receber graças, comentei que quem não tem condição de perdoar inviabiliza a oportunidade de ser abençoado. É difícil, mas, se insistirmos, vamos atingir a consciência de que nós e o outro, em essência, somos partes de um mesmo todo.
Acrescento agora, lembrada pela observação sempre construtiva e motivadora da Professora de Yoga Léa Mello, que, fundamental para nossa alma estar aberta aos bens que a vida tem para nos oferecer, é, antes de tudo, perdoarmos a nós mesmos. Um trabalho profundo é exigido de quem busca o estado de felicidade. Viver roendo por dentro, culpando-se por atitudes que já não podem mais ser alteradas, criticando-se por não possuir determinadas qualidades que admira no próximo, é uma forma de não se perdoar. É alimentar culpa inútil. Traz desamor.
Quais as situações que sinalizam a sensação angustiada de que sempre carecemos de alguma coisa para estarmos bem? Como identificar a causa dessa ansiedade difusa, com efeitos tão fortes que sufocam, gerando sintomas? Os apressados atribuem à falta de bens, de companhias adequadas, de afetos. Mas sabemos que não é tão simples. È preciso buscar fundo, nesse encontro de almas que é a presença do analisando com o psicanalista, no espaço criado onde se espera a resposta a cada indagação. Ou, ainda, para quem já equacionou suas questões emocionais, na presença de um mestre, no silêncio da meditação alcançada.
Podemos, na intimidade e no silêncio do encontro de nossa cabeça com o travesseiro, afirmar antes de cada adormecer:
Aceito profundamente todo o meu ser. Minha mente perdoa meu coração, meu coração perdoa minha mente. Aqui, onde minha consciência se encontra, não há mais lugar para mágoas e arrependimentos. Meus pensamentos e atitudes geram compreensão e todo meu ser mergulha no infinito amor de Deus.
Este estado de felicidade, que só depende da nossa atitude, é o que desejo a todos que buscam alguma Graça.
Quando se consegue atingir o eu real, descartando a falsa personalidade, cria-se condições para o amor sem ilusões. O amor de ilusão é aquele perdemos um dia; aquele que imaginamos ter ao lado visto pelo filtro distorcido da carência, da ansiedade, do medo de ficar só, da expectativa feita de projeção do desejo. Olhando para trás, as relações humanas que nos desencantaram só atenderam ao nosso medo, até termos conseguido tirar a casca das defesas do falso eu e sermos nós mesmos. Aquele que olhávamos não era um sujeito real.
Como superar essa questão? Se o amor só traz felicidade, por que essa dificuldade de entrega, esses disfarces gerando isolamento e não comunicação?
O medo, se por um lado impede, ao mesmo tempo aponta para o desejo; precisa ser entendido. Vamos olhar atentamente para ele, conversar com ele, descobrir o que o compõe, o que está por trás de sua aparição; desde quando ele estava adormecido e por que despertou.
Não vamos deixar nossas dificuldades e diferenças destruírem os encontros que nos fazem bem, os sentimentos que nos unem a alguém com quem nos identificamos em corpo e mente. E aqui cabem também as amizades.
Vamos refletir um pouco sobre as causas que nos afastam de nossas pessoas queridas.
Observando separações em pessoas diversas, identifico em alguns ex-parceiros exigências que poderiam ser superadas: só porque as idéias que expõem, os livros que leram – ou não - os sons que ouvem - ou não- só porque sua visão de mundo,seu gosto, sua fé diferem do que elegeram como seus favoritos, uma grande maioria se apressa em classificar de inferior aquilo com que não concorda. O que será que transforma alguns egos em autoridade e centro de critério universal, não evocando nem mesmo uma oportunidade de julgar melhor suas próprias capacidades? É o que a maioria faz, sem dar sequer oportunidade ao outro lado de defender suas posições. Aumenta a desconfiança sedimentada no orgulho. Assisto a possibilidades bonitas de relacionamentos se perderem em preconceitos.
Carlos Drummond de Andrade afirmava: Tive um amor porque mereci. Sempre repito esta frase. Gosto dela. Ela é psicanalítica: o que é ter atitude psicanalítica? Reconhecer que a causa de muito acontecimento em nossa vida está nas nossas próprias atitudes. E também: ela é esotérica: Por quê?
Nas leis que todos os mestres do pensamento nos ensinam, a causa de não conseguirmos uma graça está na nossa atitude de ressentimento, de não conseguir perdoar. Os mais elevados pensadores nos transmitem esse conhecimento, que agora repasso para quem quiser ter uma nova fase de vida mais feliz, quem quiser merecer a vida em estado de amor:
RECAPITULANDO ALGUMAS LEIS DO AMOR E DA FELICIDADE:
Em todas as linhas de pensamento, para se evoluir, isto é: sair da vida rasteira de só comer, dormir, trabalhar, reproduzir e um dia morrer...um dos itens necessários é desapegar-se do medo, das mágoas, dos ressentimentos.
Uma das formas é pedir a Deus, à Vida, ou ao que crê como fonte de graça, para receber forças no sentido de tornar-se cada vez mais o que tem que ser, quem é verdadeiramente. Entregar-se à fé. Sem essa entrega, não se faz a transformação necessária. Isso pode levar tempo Há mágoas e lembranças tristes que dificultam. Mas se insistirmos, um dia acordamos leves. O perdão se fez. Estamos prontos para a outra etapa: o merecimento: merecer o que desejamos.
Transcrevo aqui, com minhas palavras, as lições do Mestre Masaharu Taniguchi, fundador da filosofia espiritualista Seicho-No –Ie:
Às vezes, quase sempre, se atrai problemas porque não se perdoou alguém que nos magoou. Na verdade ninguém nos magoa, as pessoas agem do jeito que podem e a gente recebe suas ações como seus erros. Mas tudo o que nos acontece nos ensina alguma coisa.
Aproveitamos o que nos aconteceu ou nos feriu para aprender. A sabedoria espiritual nos ensina que a maneira de ficarmos livres da ligação com a negatividade é não apenas perdoar, mas agradecer ao que – ou a quem - nos deu oportunidade de crescer. Para isso, começamos nossa aprendizagem com a oração do perdão, que devemos repetir muito, até ter o sentimento de perdão e agradecimento dentro de nós, sentindo-nos apaziguados:
ORAÇÃO PARA PERDOAR ( de Masaharu Taniguchi)
Eu o(a) perdoei, e você me perdoou,
Eu e você somos um só perante Deus.
Eu o amo, e você me ama também;
Eu e você somos um só perante Deus.
Eu lhe agradeço e você me agradece.
Obrigado(a), obrigado(a), obrigado(a)
Obrigado(a), Obrigado(a).
Não existe mais nenhum ressentimento
Entre nós.
Oro sinceramente pela sua felicidade.
Seja cada vez mais feliz.
Deus o(a)perdoa.
Portanto eu também o(a) perdoo .
Eu perdoei a todas as pessoas. Eu acolho a todos eles
Com o amor de Deus.
Da mesma forma, Deus me perdoa os erros
E me acolhe com o seu Imenso Amor.
Quando aquele que conseguiu vencer o ressentimento pelo perdão desejar muito encontrar seu parceiro amoroso, ensina novamente o Mestre, está pronto para evocá-lo através da oração de sua autoria que copio aqui:
ORAÇÃO DA METADE DA ALMA
Ó DEUS, SEI QUE EXISTE NESTE MUNDO UMA PESSOA QUE VÓS ESTAIS RESERVANDO PARA MIM E QUE É A OUTRA METADE DA MINHA ALMA. BEM NO ÍNTIMO DA MINHA ALMA EU SEI ONDE ESSA PESSOA SE ENCONTRA NESTE MOMENTO. ONDE QUER QUE ELA (E) SE ENCONTRE, A FORÇA MAGNÉTICA DO AMOR FARÁ COM QUE NOS APROXIMEMOS INFALIVELMENTE , E ENTÃO SE DARÁ UMA UNIÃO HARMONIOSA E ABENÇOADA POR TODOS. EU VOS AGRADEÇO, DEUS, POR HAVERDES FEITO A OUTRA METADE DA MINHA ALMA, E POR ESTARDES PROVIDENCIANDO PARA NOS CONDUZIR ATÉ UM CASAMENTO FELIZ.
Completando com muito amor a direção dessas preciosas informações, para quem sabe reconhecer, indico o site http://www.gvolive.com/conference,kaanda
Texto janeiro/11
MERECENDO A GRAÇA
Mês passado, falando das condições propícias para se receber graças, comentei que quem não tem condição de perdoar inviabiliza a oportunidade de ser abençoado. É difícil, mas, se insistirmos, vamos atingir a consciência de que nós e o outro, em essência, somos partes de um mesmo todo.
Acrescento agora, lembrada pela observação sempre construtiva e motivadora da Professora de Yoga Léa Mello, que, fundamental para nossa alma estar aberta aos bens que a vida tem para nos oferecer, é, antes de tudo, perdoarmos a nós mesmos. Um trabalho profundo é exigido de quem busca o estado de felicidade. Viver roendo por dentro, culpando-se por atitudes que já não podem mais ser alteradas, criticando-se por não possuir determinadas qualidades que admira no próximo, é uma forma de não se perdoar. É alimentar culpa inútil. Traz desamor.
Quais as situações que sinalizam a sensação angustiada de que sempre carecemos de alguma coisa para estarmos bem? Como identificar a causa dessa ansiedade difusa, com efeitos tão fortes que sufocam, gerando sintomas? Os apressados atribuem à falta de bens, de companhias adequadas, de afetos. Mas sabemos que não é tão simples. È preciso buscar fundo, nesse encontro de almas que é a presença do analisando com o psicanalista, no espaço criado onde se espera a resposta a cada indagação. Ou, ainda, para quem já equacionou suas questões emocionais, na presença de um mestre, no silêncio da meditação alcançada.
Podemos, na intimidade e no silêncio do encontro de nossa cabeça com o travesseiro, afirmar antes de cada adormecer:
Aceito profundamente todo o meu ser. Minha mente perdoa meu coração, meu coração perdoa minha mente. Aqui, onde minha consciência se encontra, não há mais lugar para mágoas e arrependimentos. Meus pensamentos e atitudes geram compreensão e todo meu ser mergulha no infinito amor de Deus.
Este estado de felicidade, que só depende da nossa atitude, é o que desejo a todos que buscam alguma Graça.
texto dez,/10
ENCONTRANDO O AMOR
Quando se consegue atingir o eu real, descartando a falsa personalidade, cria-se condições para o amor sem ilusões. O amor de ilusão é aquele perdemos um dia; aquele que imaginamos ter ao lado visto pelo filtro distorcido da carência, da ansiedade, do medo de ficar só, da expectativa feita de projeção do desejo. Olhando para trás, as relações humanas que nos desencantaram só atenderam ao nosso medo, até termos conseguido tirar a casca das defesas do falso eu e sermos nós mesmos. Aquele que olhávamos não era um sujeito real.
Como superar essa questão? Se o amor só traz felicidade, por que essa dificuldade de entrega, esses disfarces gerando isolamento e não comunicação?
O medo, se por um lado impede, ao mesmo tempo aponta para o desejo; precisa ser entendido. Vamos olhar atentamente para ele, conversar com ele, descobrir o que o compõe, o que está por trás de sua aparição; desde quando ele estava adormecido e por que despertou.
Não vamos deixar nossas dificuldades e diferenças destruírem os encontros que nos fazem bem, os sentimentos que nos unem a alguém com quem nos identificamos em corpo e mente. E aqui cabem também as amizades.
Vamos refletir um pouco sobre as causas que nos afastam de nossas pessoas queridas.
Observando separações em pessoas diversas, identifico em alguns ex-parceiros exigências que poderiam ser superadas: só porque as idéias que expõem, os livros que leram – ou não - os sons que ouvem - ou não- só porque sua visão de mundo,seu gosto, sua fé diferem do que elegeram como seus favoritos, uma grande maioria se apressa em classificar de inferior aquilo com que não concorda. O que será que transforma alguns egos em autoridade e centro de critério universal, não evocando nem mesmo uma oportunidade de julgar melhor suas próprias capacidades? É o que a maioria faz, sem dar sequer oportunidade ao outro lado de defender suas posições. Aumenta a desconfiança sedimentada no orgulho. Assisto a possibilidades bonitas de relacionamentos se perderem em preconceitos.
Carlos Drummond de Andrade afirmava: Tive um amor porque mereci. Sempre repito esta frase. Gosto dela. Ela é psicanalítica: o que é ter atitude psicanalítica? Reconhecer que a causa de muito acontecimento em nossa vida está nas nossas próprias atitudes. E também: ela é esotérica: Por quê?
Nas leis que todos os mestres do pensamento nos ensinam, a causa de não conseguirmos uma graça está na nossa atitude de ressentimento, de não conseguir perdoar. Os mais elevados pensadores nos transmitem esse conhecimento, que agora repasso para quem quiser ter uma nova fase de vida mais feliz, quem quiser merecer a vida em estado de amor:
RECAPITULANDO ALGUMAS LEIS DO AMOR E DA FELICIDADE:
Em todas as linhas de pensamento, para se evoluir, isto é: sair da vida rasteira de só comer, dormir, trabalhar, reproduzir e um dia morrer...um dos itens necessários é desapegar-se do medo, das mágoas, dos ressentimentos.
Uma das formas é pedir a Deus, à Vida, ou ao que crê como fonte de graça, para receber forças no sentido de tornar-se cada vez mais o que tem que ser, quem é verdadeiramente. Entregar-se à fé. Sem essa entrega, não se faz a transformação necessária. Isso pode levar tempo Há mágoas e lembranças tristes que dificultam. Mas se insistirmos, um dia acordamos leves. O perdão se fez. Estamos prontos para a outra etapa: o merecimento: merecer o que desejamos.
Transcrevo aqui, com minhas palavras, as lições do Mestre Masaharu Taniguchi, fundador da filosofia espiritualista Seicho-No –Ie:
Às vezes, quase sempre, se atrai problemas porque não se perdoou alguém que nos magoou. Na verdade ninguém nos magoa, as pessoas agem do jeito que podem e a gente recebe suas ações como seus erros. Mas tudo o que nos acontece nos ensina alguma coisa.
Aproveitamos o que nos aconteceu ou nos feriu para aprender. A sabedoria espiritual nos ensina que a maneira de ficarmos livres da ligação com a negatividade é não apenas perdoar, mas agradecer ao que – ou a quem - nos deu oportunidade de crescer. Para isso, começamos nossa aprendizagem com a oração do perdão, que devemos repetir muito, até ter o sentimento de perdão e agradecimento dentro de nós, sentindo-nos apaziguados:
ORAÇÃO PARA PERDOAR ( de Masaharu Taniguchi)
Eu o(a) perdoei, e você me perdoou,
Eu e você somos um só perante Deus.
Eu o amo, e você me ama também;
Eu e você somos um só perante Deus.
Eu lhe agradeço e você me agradece.
Obrigado(a), obrigado(a), obrigado(a)
Obrigado(a), Obrigado(a).
Não existe mais nenhum ressentimento
Entre nós.
Oro sinceramente pela sua felicidade.
Seja cada vez mais feliz.
Deus o(a)perdoa.
Portanto eu também o(a) perdoo .
Eu perdoei a todas as pessoas. Eu acolho a todos eles
Com o amor de Deus.
Da mesma forma, Deus me perdoa os erros
E me acolhe com o seu Imenso Amor.
Quando aquele que conseguiu vencer o ressentimento pelo perdão desejar muito encontrar seu parceiro amoroso, ensina novamente o Mestre, está pronto para evocá-lo através da oração de sua autoria que copio aqui:
ORAÇÃO DA METADE DA ALMA
Ó DEUS, SEI QUE EXISTE NESTE MUNDO UMA PESSOA QUE VÓS ESTAIS RESERVANDO PARA MIM E QUE É A OUTRA METADE DA MINHA ALMA. BEM NO ÍNTIMO DA MINHA ALMA EU SEI ONDE ESSA PESSOA SE ENCONTRA NESTE MOMENTO. ONDE QUER QUE ELA (E) SE ENCONTRE, A FORÇA MAGNÉTICA DO AMOR FARÁ COM QUE NOS APROXIMEMOS INFALIVELMENTE , E ENTÃO SE DARÁ UMA UNIÃO HARMONIOSA E ABENÇOADA POR TODOS. EU VOS AGRADEÇO, DEUS, POR HAVERDES FEITO A OUTRA METADE DA MINHA ALMA, E POR ESTARDES PROVIDENCIANDO PARA NOS CONDUZIR ATÉ UM CASAMENTO FELIZ.
Completando com muito amor a direção dessas preciosas informações, para quem sabe reconhecer, indico o site http://www.gvolive.com/conference,kaanda .
Feliz Natal para todos, Namastê !
Quando se consegue atingir o eu real, descartando a falsa personalidade, cria-se condições para o amor sem ilusões. O amor de ilusão é aquele perdemos um dia; aquele que imaginamos ter ao lado visto pelo filtro distorcido da carência, da ansiedade, do medo de ficar só, da expectativa feita de projeção do desejo. Olhando para trás, as relações humanas que nos desencantaram só atenderam ao nosso medo, até termos conseguido tirar a casca das defesas do falso eu e sermos nós mesmos. Aquele que olhávamos não era um sujeito real.
Como superar essa questão? Se o amor só traz felicidade, por que essa dificuldade de entrega, esses disfarces gerando isolamento e não comunicação?
O medo, se por um lado impede, ao mesmo tempo aponta para o desejo; precisa ser entendido. Vamos olhar atentamente para ele, conversar com ele, descobrir o que o compõe, o que está por trás de sua aparição; desde quando ele estava adormecido e por que despertou.
Não vamos deixar nossas dificuldades e diferenças destruírem os encontros que nos fazem bem, os sentimentos que nos unem a alguém com quem nos identificamos em corpo e mente. E aqui cabem também as amizades.
Vamos refletir um pouco sobre as causas que nos afastam de nossas pessoas queridas.
Observando separações em pessoas diversas, identifico em alguns ex-parceiros exigências que poderiam ser superadas: só porque as idéias que expõem, os livros que leram – ou não - os sons que ouvem - ou não- só porque sua visão de mundo,seu gosto, sua fé diferem do que elegeram como seus favoritos, uma grande maioria se apressa em classificar de inferior aquilo com que não concorda. O que será que transforma alguns egos em autoridade e centro de critério universal, não evocando nem mesmo uma oportunidade de julgar melhor suas próprias capacidades? É o que a maioria faz, sem dar sequer oportunidade ao outro lado de defender suas posições. Aumenta a desconfiança sedimentada no orgulho. Assisto a possibilidades bonitas de relacionamentos se perderem em preconceitos.
Carlos Drummond de Andrade afirmava: Tive um amor porque mereci. Sempre repito esta frase. Gosto dela. Ela é psicanalítica: o que é ter atitude psicanalítica? Reconhecer que a causa de muito acontecimento em nossa vida está nas nossas próprias atitudes. E também: ela é esotérica: Por quê?
Nas leis que todos os mestres do pensamento nos ensinam, a causa de não conseguirmos uma graça está na nossa atitude de ressentimento, de não conseguir perdoar. Os mais elevados pensadores nos transmitem esse conhecimento, que agora repasso para quem quiser ter uma nova fase de vida mais feliz, quem quiser merecer a vida em estado de amor:
RECAPITULANDO ALGUMAS LEIS DO AMOR E DA FELICIDADE:
Em todas as linhas de pensamento, para se evoluir, isto é: sair da vida rasteira de só comer, dormir, trabalhar, reproduzir e um dia morrer...um dos itens necessários é desapegar-se do medo, das mágoas, dos ressentimentos.
Uma das formas é pedir a Deus, à Vida, ou ao que crê como fonte de graça, para receber forças no sentido de tornar-se cada vez mais o que tem que ser, quem é verdadeiramente. Entregar-se à fé. Sem essa entrega, não se faz a transformação necessária. Isso pode levar tempo Há mágoas e lembranças tristes que dificultam. Mas se insistirmos, um dia acordamos leves. O perdão se fez. Estamos prontos para a outra etapa: o merecimento: merecer o que desejamos.
Transcrevo aqui, com minhas palavras, as lições do Mestre Masaharu Taniguchi, fundador da filosofia espiritualista Seicho-No –Ie:
Às vezes, quase sempre, se atrai problemas porque não se perdoou alguém que nos magoou. Na verdade ninguém nos magoa, as pessoas agem do jeito que podem e a gente recebe suas ações como seus erros. Mas tudo o que nos acontece nos ensina alguma coisa.
Aproveitamos o que nos aconteceu ou nos feriu para aprender. A sabedoria espiritual nos ensina que a maneira de ficarmos livres da ligação com a negatividade é não apenas perdoar, mas agradecer ao que – ou a quem - nos deu oportunidade de crescer. Para isso, começamos nossa aprendizagem com a oração do perdão, que devemos repetir muito, até ter o sentimento de perdão e agradecimento dentro de nós, sentindo-nos apaziguados:
ORAÇÃO PARA PERDOAR ( de Masaharu Taniguchi)
Eu o(a) perdoei, e você me perdoou,
Eu e você somos um só perante Deus.
Eu o amo, e você me ama também;
Eu e você somos um só perante Deus.
Eu lhe agradeço e você me agradece.
Obrigado(a), obrigado(a), obrigado(a)
Obrigado(a), Obrigado(a).
Não existe mais nenhum ressentimento
Entre nós.
Oro sinceramente pela sua felicidade.
Seja cada vez mais feliz.
Deus o(a)perdoa.
Portanto eu também o(a) perdoo .
Eu perdoei a todas as pessoas. Eu acolho a todos eles
Com o amor de Deus.
Da mesma forma, Deus me perdoa os erros
E me acolhe com o seu Imenso Amor.
Quando aquele que conseguiu vencer o ressentimento pelo perdão desejar muito encontrar seu parceiro amoroso, ensina novamente o Mestre, está pronto para evocá-lo através da oração de sua autoria que copio aqui:
ORAÇÃO DA METADE DA ALMA
Ó DEUS, SEI QUE EXISTE NESTE MUNDO UMA PESSOA QUE VÓS ESTAIS RESERVANDO PARA MIM E QUE É A OUTRA METADE DA MINHA ALMA. BEM NO ÍNTIMO DA MINHA ALMA EU SEI ONDE ESSA PESSOA SE ENCONTRA NESTE MOMENTO. ONDE QUER QUE ELA (E) SE ENCONTRE, A FORÇA MAGNÉTICA DO AMOR FARÁ COM QUE NOS APROXIMEMOS INFALIVELMENTE , E ENTÃO SE DARÁ UMA UNIÃO HARMONIOSA E ABENÇOADA POR TODOS. EU VOS AGRADEÇO, DEUS, POR HAVERDES FEITO A OUTRA METADE DA MINHA ALMA, E POR ESTARDES PROVIDENCIANDO PARA NOS CONDUZIR ATÉ UM CASAMENTO FELIZ.
Completando com muito amor a direção dessas preciosas informações, para quem sabe reconhecer, indico o site http://www.gvolive.com/conference,kaanda .
Feliz Natal para todos, Namastê !
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