sexta-feira, 8 de junho de 2012

ONDE ESTÁ A NOSSA SOLUÇÃO “ Ninguém se encontra numa situação; você se coloca numa situação. E se você se colocou nessa situação, pode colocar-se em outra.” Rabino Menachen M. Schneerson (Rebe de Lubavitch) * “ Força-te, força-te à vontade e violenta-te, alma minha;mais tarde, porém, já não era tempo para te assumires e respeitares. Porque de uma vida apenas, uma única, dispõe o homem .E se para ti esta já quase se esgotou, nela não soubeste ter por ti respeito, tendo agido como se a tua felicidade fosse a dos outros... Aqueles, porém, que não atendem com atenção os impulsos da própria alma são necessariamente infelizes.” Marco Aurélio * Os pensamentos acima de alguma forma me lembram a história de um sábio que vivia em completo estado de felicidade e por isso despertava a curiosidade de seus vizinhos. Ninguém conseguia descobrir seu segredo. Até que um dia, uma criança, com simplicidade, perguntou-lhe onde ele escondia tal tesouro. E ele, com naturalidade, explicou que ninguém o encontrara porque estava dentro dele mesmo, em dois lugares: em sua mente e em seu coração. Através do coração, sentia-se ligado a todos os seres vivos. E, através da visão mental, iniciara há muito o hábito de gostar de si mesmo, valorizar suas realizações, considerar-se uma pessoa significativa. E isso era autoestima. A partir desses dois princípios, experimentava uma constante paz interior e desenvolvia ações que sempre geravam harmonia em volta. Não sofria da inveja que causa tanta insatisfação, lamentando o sacrifício que alguns faziam para se comparar aos valores alheios. Valorizando a própria solidão, sem medo de ficar sozinho, evitava participar de grupos que nada acrescentam ao precioso tempo da existência. É muito interessante o jogo que a natureza faz: aqueles que temem ficar isolados, envolvem-se num clima de lamento e carência, afastando as companhias que mais desejam; e os valorizam sua individualidade, convivendo com o silêncio e fugindo dos excessos de barulho da multidão, passam a ser os mais procurados. Assim como o sábio, quem investe no próprio coração e na vida interior, reúne as forças que vai precisar, ao longo da vida, para o estado de felicidade.
Maio/12 PODEMOS CONDUZIR OS ACONTECIMENTOS DA NOSSA VIDA ATRAVÉS DO CONTATO COM O INCONSCIENTE Quando alguma preocupação está nos afligindo, se nos entregarmos a ela, deixando que tome conta da nossa atenção e se transforme num forte medo, estamos trabalhando nossa mente contra nós. Mas se, ao surgimento de um problema, ameaça ou desafio - como gosto de nomear qualquer tipo de dificuldade - decidirmos que já existe dentro de nós ( no nosso inconsciente) uma solução para a situação, iniciamos um processo positivo de autoencorajamento, criamos condições para que, seja de que natureza for o objeto a ser enfrentado, entre em ação uma resposta, uma decisão, uma solução. A confiança no poder do nosso inconsciente tem sido muito utilizada nos últimos tempos pelas diversas terapias, tanto as oficialmente aceitas, como as diversas formas alternativas de tratamento, algumas bem questionáveis por aqueles que se debruçaram anos nos livros, no estudo e na orientação de uma formação completa para chegar a se autorizar na atividade que atua na mente de seus semelhantes. A busca do mágico, também excessivamente comum, na fantasia de encontrar saídas fáceis para questões acumuladas ao longo de sua história de vida, prometida por oportunistas da ingenuidade dos desprevenidos, cresce à medida em que ainda não se aprendeu a pensar por si mesmo, a mergulhar no manancial de significados que compõem nossa personalidade. Se empreendermos um trabalho de autoconhecimento, inicialmente orientados por bons profissionais, como psicanalistas com formação feita em instituições reconhecidas, mestres consagrados em yoga, meditação, sacerdotes conhecidos por seu bom senso na comunidade, com o tempo aprenderemos a lidar com a parte ainda escondida de nosso mundo interior. Vamos desenvolver uma prática tão efetiva como realizamos com nosso corpo, quando orientados por eficientes personal trainers ou professores de ginástica. Ao nos depararmos com algum tipo de situação para ser resolvida, será natural e até automático tomarmos a atitude de nos voltarmos para nosso inconsciente. A mente, familiarizada com o hábito de entrarmos em contato com os significados que estão lá à nossa espera, está sempre pronta a nos atender e decidir sem erro; a sensação de conforto, leveza e confiança vai confirmar que obtivemos a decisão melhor para cada opção. Guiados por esse tipo de segurança, sentiremos que se afasta a ansiedade, elimina-se o estado de dúvida e o perigoso hábito de nos confidenciarmos com pessoas que não nos conhecem profundamente, só para aliviar a tensão, só pelo medo de não ficar um pouco sozinho e saber esperar por um contato autêntico. Os iniciados no conhecimento em busca da sabedoria terão o privilégio, neste mundo, de viverem num estado bem próximo da felicidade, que se inicia pela paz de espírito, e servirem de companhia para os que também desejam aperfeiçoar seu desempenho no espaço da família, da profissão e na comunidade. É a partir de indivíduos assim que se realiza a paz mundial.
Abril/12 ABRIR MÃO DO DESEJO OU SABER ESCOLHER? À medida em que sentimos o tempo passar, mesmo sendo muito jovens, se não atingimos uma forma de vida desejada, parece que nunca mais vamos conseguir chegar lá. O desânimo é um convite que se instala ao nosso lado, dentro de nós. É preciso uma determinação especial para prosseguir, pois o caminho é feito de cada vitória sobre o desânimo, desde o momento de despertar a cada manhã. Se parece mais fácil a fuga em forma de medicamento, droga, reclamação, por outro lado torna-se mais difícil a decisão de reagir e mais intensa a sensação de que não vale a pena nem tentar. Uma força especial acompanha aqueles que não desistem. Uma bênção da vida fortalece aqueles que resolvem desafiar as dificuldades. Essa bênção pode surgir na presença de alguém que acredita em nós, que não desiste de crer no nosso valor, que vê, como Michelangelo via, no mármore ainda bruto, a escultura do anjo já pronta. Mas é preciso dar o primeiro passo. Ainda que não apresentemos o perfil daqueles que a maioria considera os “vencedores”, o início de tudo é sabermos que podemos ser diferentes e confiarmos na nossa individualidade. Que podemos estar “atrasados” em relação ao que a maioria chama de ‘sucesso”, mas que estamos descobrindo nossa forma de caminhar, inventando o nosso ritmo. Acreditando assim em nós mesmos , estaremos dando oportunidade para que alguns comecem a ter fé no que temos a dizer ao mundo. E todos temos um recado, um trabalho, uma missão a cumprir. Se não desistirmos, acabamos descobrindo . Ao acontecer mais de uma oferta no nosso caminho, teremos que decidir a direção a tomar. Nossa primeira tendência será optar pelo mais fácil. Abrindo mão, talvez, do desejo de fazer o que realmente se gosta. Saber escolher exige coragem e ausência de culpa. Culpa? Por quê culpa? Culpa, em psicanálise, se identifica quando se assume alguma posição pensando em agradar a alguém, e, no fundo, não é bem o que se deseja. Ou quando se acha que está tendo mais valor seguindo aquela situação, porque é o mais aprovado pela maioria. Ou, ainda, porque sente que, fazendo o que lhe é tão prazeroso, nem parece merecer pagamento. A culpa é uma das piores armadilhas do inconsciente e um dos inimigos que uma terapia eficiente elimina. Quando se supera essa dificuldade, a escolha está sendo feita com sabedoria. Aqueles que conseguiram ter uma vida que lhes dá prazer de viver, e em consequência acabaram sendo reconhecidos como vitoriosos, mesmo sem buscar esse reconhecimento, foram os que seguiram seu coração, iniciaram uma atividade que amavam realizar. Mesmo sendo diferentes da maioria, mesmo levando mais tempo para se definirem. Foram aqueles que tiveram fé em si mesmos. E, se contaram com mais sorte ainda, receberam o apoio de quem acreditou neles, como escreveu Goethe: Se você tratar um indivíduo como ele é, ele permanecerá como tal. Mas, se você o tratar como se fosse o que deve e pode ser, ele se tornará o que deve e pode ser. Johann Wolfgang Von Goethe (1749-1832 )
Março/12 O DESAFIO DE VENCER A IMAGEM DE PERDEDOR O trabalho do analista é favorecer a autoconfiança do analisando de forma a ele vencer a luta do seu lado positivo contra o negativo; apontando, através das narrações que ouve dele ou mesmo das queixas dos familiares, - quando se trata de adolescente -, o que faz para se sabotar sem perceber, mostrando como provoca o amor daqueles que o cercam. Aquele que precisa sempre se certificar de que é querido, faz coisas que incomodam, falha nas promessas feitas, mantendo uma imagem negativa diante de todos com quem convive; no fundo, quer ver se o aceitam mesmo assim. Quando isso é pontuado na terapia, e se torna consciente, começa a rever suas atitudes; aos poucos, vai percebendo que estava trabalhando contra si mesmo. Quem, em várias situações, começa a testar o limite da paciência dos outros, gasta uma energia emocional que lhe rouba forças para direcionar a mente em focos mais produtivos, como buscar uma atividade de que goste, um novo estudo, iniciar algum trabalho. A reação para vencer a inércia, o desânimo e a desistência é um processo de desenvolvimento sujeito a recaídas, mas o terapeuta conta com essa evolução. Observa tranquilo os relatos de idas e vindas, estimula as retomadas. O mais difícil, talvez, seja a aceitação da família e do meio em que o paciente já instalou uma imagem de “sem solução”. Quem demorou algum tempo, meses, anos, às vezes, mostrando-se sem esperança de atender à expectativa dos que o amam, precisa ser alertado de que pode não encontrar acolhimento daqueles que ficaram cansados com seu comportamento. Vai precisar de uma constante vigilância na recuperação dessa imagem. O que nem sempre é fácil para quem está buscando a própria autoconfiança. Como abordar essa aparência negativa? Conseguindo ver através da superfície, tendo fé no conteúdo que mora no fundo de cada um, esperando que se desperte o espírito. Porque, se existe uma reação, uma tristeza, uma provocação, são sintomas que significam pedidos de atenção. Como o choro de uma criança. Vamos acreditar que será despertado o ser melhor dentro daquele que está sendo tratado para, enfim, encontrar sua razão de existir. Porque não vamos ter dúvidas: o que mais dói em todos é não entender a razão pela qual existem. Precisamos saber que ele é o primeiro a sofrer muito vivendo assim. Está faltando um toque, um momento, um encontro de almas para ele reagir. Vamos confiar que essa solução virá quando ele se der conta de que não consegue nada de bom estragando sua imagem com quem lhe quer bem. Precisamos acreditar que seu lado saudável vai vencer. Estamos buscando, juntos, um tesouro. Ainda não sabemos a profundidade em que está enterrado. Precisamos continuar cavando. Vencendo as camadas de falta de autoestima, de insegurança, de fracassos. Elas montaram uma defesa muito forte. Ele mesmo não está acostumado a acreditar que carrega um grande poder no seu mundo interno. Imaginando-se sem valor próprio, age já se sentindo não merecedor da confiança alheia. E suas reações podem ser agressão, revolta, ou simplesmente depressão, desânimo. Desfazer essa dificuldade é nossa missão. Exige de nós a arte de deslindar um novelo todo emaranhado com as pontas em nó para dentro. Vamos empreender essa obra.
Fev/12 A CARÊNCIA E A PROPOSTA DE VIVER BEM Seja você a mudança que quer no mundo. Gandhi Conta uma estória que existia um reino onde o rei, a rainha e a filha viviam sempre felizes. Todos do reino se sentiam também felizes, pois eles não eram egoístas e procuravam distribuir bem as riquezas da terra. Sempre que aconteciam desgraças, epidemias, perdas grandes para o reinado, o rei dizia para a mulher e a filha: “- Que pena que aconteceu isso; ainda bem que somos felizes...” Ser feliz é uma atitude. Não depende do que nos acontece. Assim como ter nossas convicções e agir de acordo com elas, não é preciso esperar que tudo em volta de nós se transforme. Chegou a hora de perceber que não é transferindo nossos problemas para explicações sobre carma, sorte, horóscopo, que vamos resolvê-los. Ao contrário: enfrentando o que nos atemoriza, o peso das ações e consequências negativas se desfaz. Explicar uma existência inteira com razões fora do alcance para mudar o que acontece agora, é como se nos mantivéssemos nos primeiro ano escolar e sempre repetíssemos o mesmo período porque nos recusamos a aprender. Existindo ou não a lei cármica, ela precisa ser bem entendida: carma, em sânscrito, quer dizer ação. Estar sob a lei cármica significa sofrer a consequência de uma ação, que o espiritualistas localizam nas vidas passadas. Mas como atingir uma vida já passada, ou viver se desculpando que não consegue mudar, porque aquele é seu carma? Se sofremos, atingidos por fatos tristes, a atitude a fazer é focar, objetivamente, o que está acontecendo e entender as causas. Sejam elas presas à infância, sejam elas anteriores, para quem crê. A observação das causas que aparecem no problema presente é um começo de entendimento. Um exemplo simples: alguém sofre, desde a infância, de um tipo de doença física ou mental. Temos exemplos de quem busca enfrentar a condição até transformá-la numa qualidade positiva e de outros que se entregam e se tornam, a vida inteira, dependentes de ajuda. O conhecimento vai nos mostrar a saída. Fazendo tudo o que nos compete, estamos nos livrando de prolongar o estado de tristeza. Aprendida a lição, podemos viver libertados e seguir para a realização do nosso arbítrio. Quando a melancolia e o desânimo começam a ocupar um espaço ameaçador no mundo emocional, o estado de fadiga se estabelece, querendo travar todas as forças. Essas são características geradas na carência que até certo ponto é natural em todos nós. Ninguém está tão preenchido e satisfeito, que não precise de carinho e atenção. Se dermos força à carência, à condição de desamparo que existe em todas as almas humanas, com certeza vamos ampliá-la e torná-la um hábito. E vai ficar cada vez mais difícil libertar-se desse condicionamento. Como fugir dessa armadilha? Os gregos diziam: Se queres a paz, prepara-te para a guerra. A capacidade de reagir é tanto maior quanto a disciplina adotada de pequenos bons hábitos que não nos desamparam. Se costumamos a cada manhã observar nosso corpo, nosso ânimo, tomar consciência dos nossos sentidos, praticar respiração, entrando em contato com o dia, recebendo-o independente de frio, calor, chuva... Se adotarmos o hábito de não nos lamentarmos, como tantos fazem, e passarmos a olhar a tudo como bênçãos vindas da natureza... se mantivermos a disciplina , como fazem os yogues, que se harmonizam com o ambiente, agradecendo sempre a tudo e à luz de cada pessoa , dizendo: Namastê! , que significa, “ O meu Deus interior saúda o Deus dentro de você” ... Será mais suave o caminho da vida, independente das agruras, das dificuldades e do peso da responsabilidade que todos carregamos.