A RESISTÊNCIA , O BOICOTE : A FORÇA
DO INCONSCIENTE
No texto anterior, sobre a figura da
mãe na psicanálise, sugeri a importância de se quebrar a repetição de um padrão
aprendido no papel de mulher na família e iniciar um caminho de liberdade.
Quanto mais se atravessa o tempo, mais forte se configura a necessidade de
seguir significados autênticos. Valores essenciais.
Mas, em várias situações, o que se
comprova é que, ao iniciar uma trajetória individual, ao se tentar ser “apenas
o que se é”, surgem obstáculos.Externos e internos. Em volta de nós, sempre que
iniciamos algo diferente e novo, levantam-se as opiniões, os conselhos: “pra quê, por quê mudar? a experiência já não
provou que daquele jeito dá certo, por quê não segue a tradição? “E dentro de
nós, o medo: “e se eu não conseguir? Não conto com o apoio de ninguém ...”
... o medo, sempre o medo, bloqueando
nosso crescimento; Maeterlink escreveu: “O homem é um deus atemorizado”. Se
todos os que abriram caminhos de progresso ficassem presos ao medo, o mundo
continuaria na era da pedra. E ainda haveria aqueles que fariam sinais,
prendendo seus filhotes, significando que estariam bem daquele jeito...
O medo de mudar promove o que em
psicanálise se chama Resistência. A mente se apega a
subterfúgios racionalizados para manter
a acomodação. Mesmo que represente se manter no sofrimento, pois o
sofrimento, por pior que seja, é conhecido. E a mente humana “morre de medo” do
desconhecido, teme a mudança. Repito, e preciso repetir muito, porque continuo
assistindo a várias pessoas que até resolvem tomar atitudes, sair da zona de
conforto e enfrentar novas situações, mas se deixam vencer por ocorridos. Vou
dar um exemplo: são várias as pessoas que, ao ler um livro, um artigo ou
conversar com alguém que melhorou através de terapia, decidem-se a procurar um
terapeuta. Chegam mesmo a marcar uma entrevista. Mas ao chegar a data, algo
acontece: sofrem algum pequeno acidente, ficam doentes, indispostas, erram o
caminho, enfim, faltam ao encontro. Não sabem que estão sendo comandadas pelo
forte poder do inconsciente que não quer vê-las mudar, que teme o que vai ter
que enfrentar nessa mudança.
A resistência pertence ao campo do
INCONSCIENTE. O inconsciente rege a maior parte da nossa vida mental. Por isso
não reconhecemos quando somos vencidos por ela. Apenas sentimos um
desapontamento por não termos conseguido sair do lugar antigo e retomar nosso
repetitivo jeito de viver. A
Neurociência hoje confirma o que a Psicanálise já afirma desde o início do
século vinte. Podemos comprovar num excelente artigo da Revista
Superinteressante de fevereiro deste ano.
Realmente, quem busca uma terapia
deve estar disposto a enfrentar seus fantasmas. Deve estar suficientemente
decidido a abrir suas defesas e descobrir, com o terapeuta, passo a passo, os
impedimentos que precisam ser removidos para dali para adiante prosseguir. Em
direção de uma vida mais significativa.
Podemos considerar que um trabalho
psicanalítico está sendo bem sucedido quando o analisando se habituar a reconhecer
as causas dos problemas nas próprias atitudes, sem culpar a si mesmo ou a
ninguém, apenas identificando, percebendo que está sendo sabotado pela
resistência; quando consegue chegar a esse ponto e imediatamente não se deixar
levar pelas “ rasteiras” do inconsciente, presas ao medo e à acomodação, e
também não esperar que as soluções de
suas questões venham dos outros, será sinal de que a terapia está funcionando.
,
Continuamos no próximo texto.

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