terça-feira, 7 de maio de 2013

Março/13"Feliz é aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina" Cora Coralina

A RESISTÊNCIA , O BOICOTE : A FORÇA DO INCONSCIENTE


No texto anterior, sobre a figura da mãe na psicanálise, sugeri a importância de se quebrar a repetição de um padrão aprendido no papel de mulher na família e iniciar um caminho de liberdade. Quanto mais se atravessa o tempo, mais forte se configura a necessidade de seguir significados autênticos. Valores essenciais.

Mas, em várias situações, o que se comprova é que, ao iniciar uma trajetória individual, ao se tentar ser “apenas o que se é”, surgem obstáculos.Externos e internos. Em volta de nós, sempre que iniciamos algo diferente e novo, levantam-se as opiniões, os conselhos:  “pra quê, por quê mudar? a experiência já não provou que daquele jeito dá certo, por quê não segue a tradição? “E dentro de nós, o medo: “e se eu não conseguir? Não conto com o apoio de ninguém ...” ...  o medo, sempre o medo, bloqueando nosso crescimento; Maeterlink escreveu: “O homem é um deus atemorizado”. Se todos os que abriram caminhos de progresso ficassem presos ao medo, o mundo continuaria na era da pedra. E ainda haveria aqueles que fariam sinais, prendendo seus filhotes, significando que estariam bem daquele jeito... 

O medo de mudar promove o que em psicanálise se chama Resistência. A mente se apega a subterfúgios racionalizados para manter  a acomodação. Mesmo que represente se manter no sofrimento, pois o sofrimento, por pior que seja, é conhecido. E a mente humana “morre de medo” do desconhecido, teme a mudança. Repito, e preciso repetir muito, porque continuo assistindo a várias pessoas que até resolvem tomar atitudes, sair da zona de conforto e enfrentar novas situações, mas se deixam vencer por ocorridos. Vou dar um exemplo: são várias as pessoas que, ao ler um livro, um artigo ou conversar com alguém que melhorou através de terapia, decidem-se a procurar um terapeuta. Chegam mesmo a marcar uma entrevista. Mas ao chegar a data, algo acontece: sofrem algum pequeno acidente, ficam doentes, indispostas, erram o caminho, enfim, faltam ao encontro. Não sabem que estão sendo comandadas pelo forte poder do inconsciente que não quer vê-las mudar, que teme o que vai ter que enfrentar nessa mudança.

A resistência pertence ao campo do INCONSCIENTE. O inconsciente rege a maior parte da nossa vida mental. Por isso não reconhecemos quando somos vencidos por ela. Apenas sentimos um desapontamento por não termos conseguido sair do lugar antigo e retomar nosso repetitivo jeito de viver. A Neurociência hoje confirma o que a Psicanálise já afirma desde o início do século vinte. Podemos comprovar num excelente artigo da Revista Superinteressante de fevereiro deste ano.

Realmente, quem busca uma terapia deve estar disposto a enfrentar seus fantasmas. Deve estar suficientemente decidido a abrir suas defesas e descobrir, com o terapeuta, passo a passo, os impedimentos que precisam ser removidos para dali para adiante prosseguir. Em direção de uma vida mais significativa.

Podemos considerar que um trabalho psicanalítico está sendo bem sucedido quando o analisando se habituar a reconhecer as causas dos problemas nas próprias atitudes, sem culpar a si mesmo ou a ninguém, apenas identificando, percebendo que está sendo sabotado pela resistência; quando consegue chegar a esse ponto e imediatamente não se deixar levar pelas “ rasteiras” do inconsciente, presas ao medo e à acomodação, e também  não esperar que as soluções de suas questões venham dos outros, será sinal de que a terapia está funcionando.
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Continuamos no próximo texto.



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