quarta-feira, 19 de junho de 2013

junho / 13
 
A Vertigem da Beira do Poço

         Retomando o tema de se superar e reinventar-se, lembro que, no final do texto (de maio), afirmei não existirem receitas – além de seguir o impulso nascido do mergulho no mundo interior. O que quis dizer, depois de falar em vencer os bloqueios, quebrar as resistências, foi que cada um, já preparado, terá condições de escolher o seu caminho; e liberdade para decidir o seu passo. O que quero dizer com “já preparado”?

         A escolha de uma disciplina será sempre necessária; mas diferente de obedecer a regras  fixas iguais para todos.

              Seja qual for a forma que escolheremos para seguir, ela vem do resultado de uma preparação, da repetição de uma prática.
 
         E que caminhos são esses que nos levam em direção à realização?

                  Além do sempre enfocado (por mim) trabalho da psicanálise, do reconhecimento de que nossas ações e emoções são geradas num campo desconhecido, o inconsciente, que precisa ser pouco a pouco resgatado, reconhecemos a prática da meditação e da oração; enquanto as sessões de análise se sucedem, costurando sequências  que conduzem a uma tomada de consciência maior, na meditação, se sistemática, são  ativados nossos centros vitais,  promovendo um estado de harmonia com o nosso mundo interior e com tudo o que nos cerca. E também a oração, quando contínua, produz no praticante  uma corrente  de união com a fonte de sua busca.

Um dia, há muito tempo, cheguei à sessão de análise disposta a narrar o quanto havia vencido  os obstáculos...  Era a consciência de sair do fundo do poço e ganhar o horizonte. E foi justamente ao ouvir minha voz se expressando, que aquela sensação me tomou por completo: a vertigem da liberdade: o  prazer tonto de poder caminhar sem peias, sem queixas, sem apoios de explicações.  Estava para me lançar, mas a percepção de que sempre haverá um próximo desafio me desarticulava. Alguma coisa dentro de mim deu as mãos para mim mesma. Mas não estava pronta. Sabia que, enquanto passageira da vida, nunca estaria inteiramente pronta. Sempre a caminho. 

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