PROVOCAR AMOR OU REJEIÇÃO?
Quando, pelo hábito de julgar, analisar tudo, nos acostumamos a criticar , principalmente as pessoas com quem convivemos, estamos, sem perceber, ativando uma lei mental que vai atuar em nosso roteiro de vida, dificultando o que mais desejamos: viver felizes.
O mundo e os seres em nossa volta funcionam como verdadeiros espelhos, refletindo o que pensamos e devolvendo sentimentos proporcionais e semelhantes aos que projetamos.
A palavra pathos, do grego, gerou em nosso idioma a raiz de: sentir, sofrer, termos como : apatia( não sentir), empatia ( sentir o mesmo que o interior do outro), simpatia ( sentir junto).
Ao focarmos as características negativas dos outros, estamos estabelecendo uma prioridade para esses defeitos, e uma linguagem crítica se estabelece, gerando uma resposta que se alinha e amplia os nossos próprios defeitos. Nada mais eficiente para criar uma via de rejeição. Nada mais poderoso para destruir amor e amizades que estavam se construindo na admiração e confiança. Até mesmo a fé se enfraquece quando iniciamos um processo de análises das falhas.
Aí você vai comentar: então temos que evitar a observação inteligente para sermos amados?
Temos que evitar o viver se julgando juiz dos acontecimentos, centro da verdade. Temos que adquirir o hábito de olhar o outro com uma visão maior, como a mãe que recebe seu filho recém-nascido e vai colocar nele todos os significados do bem que lhe deseja. Cada vida com que nos deparamos é uma oportunidade de renascer melhor.
Está em nós escolhermos ser rejeitados, viver em guerra, ou criar a aceitação e gerar amor. Seguindo aquela orientação perfeita e boa para todos: amar ao outro como a si mesmo, tratar o outro como gostaria de ser tratado.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Texto agosto/11
AS FONTES DE ANSIEDADE
Que a maneira de viver atual nos conduz ao estresse, isso todos sabemos. Alguns até se orgulham de sua capacidade de dar conta de várias atividades ao mesmo tempo.
Já pensei assim. Mas, ao observar que o estresse gera o envelhecimento precoce e doenças graves, passei a prestar mais atenção ao problema. Quanto mais fingirmos que ele não existe, que não é perigoso, mais difícil será conseguirmos mudar nossos hábitos. E é uma questão de hábito.
O QUE GERA NOSSO ESTRESSE E ANSIEDADE?
Uma pesquisa recente, citada no canal Globonews pela psicoterapeuta Miriam Barros, informa que a mulher brasileira ocupa o segundo lugar mundial entre as mais estressadas. Na sua opinião, com a qual concordo, os principais motivos são o fato de a mulher atual criar um número muito grande de necessidades a que precisa atender.
Existe uma lista de obrigações que a mulher, principalmente a moradora de grandes centros, atualizada, prioriza como indispensáveis para cumprir. E todas parecem ocupar um grau semelhante de importância: de nenhuma está disposta
Quando observo o número de mulheres se lamentando por dores, doenças constantes e cirurgias, noto que elas não interrelacionam a doença com o motivo maior que a causou:Talvez ficando doente seja a única forma que o corpo encontra de as fazerem parar um pouco e olharem para si mesmas, para suas condições emocionais. Para terem um contato maior com o seu eu inteiro. Mas parece que passam as crises e não foi conscientizada a mensagem maior. Não estão acostumadas a lerem a informação essencial que o acontecimento lhes trouxe. Nem aprenderam a prestar atenção aos sinais com que a natureza está avisando.
Não adianta tratar do corpo com um ritmo alucinatório e depois envelhecer rapidamente pelo estresse. O estresse abre a porta da sensibilidade para o adoecimento, tira as defesas que o organismo normalmente reserva para as tarefas da vida.
Uma das grandes causas de ansiedade é se deixar de lado providências que nos deixam tranquilos depois de cumpridas. Assim, sendo uma pessoa ocupada, o indicado é retirar de uma das ações da rotina o lugar para ir ao médico e ao exame. Mas as pessoas ansiosas que não querem abrir mão de nada, colocam as ações extras e eventuais nas horas que deveriam ser de intervalo. Uma das formas de se evitar justamente o estresse é se organizar para que haja um pouco de intervalo entre uma ação e outra, porque se tudo for programado com uma hora quase em cima da outra, é certo que a agitação crescerá.
Que a maneira de viver atual nos conduz ao estresse, isso todos sabemos. Alguns até se orgulham de sua capacidade de dar conta de várias atividades ao mesmo tempo.
Já pensei assim. Mas, ao observar que o estresse gera o envelhecimento precoce e doenças graves, passei a prestar mais atenção ao problema. Quanto mais fingirmos que ele não existe, que não é perigoso, mais difícil será conseguirmos mudar nossos hábitos. E é uma questão de hábito.
O QUE GERA NOSSO ESTRESSE E ANSIEDADE?
Uma pesquisa recente, citada no canal Globonews pela psicoterapeuta Miriam Barros, informa que a mulher brasileira ocupa o segundo lugar mundial entre as mais estressadas. Na sua opinião, com a qual concordo, os principais motivos são o fato de a mulher atual criar um número muito grande de necessidades a que precisa atender.
Existe uma lista de obrigações que a mulher, principalmente a moradora de grandes centros, atualizada, prioriza como indispensáveis para cumprir. E todas parecem ocupar um grau semelhante de importância: de nenhuma está disposta
Quando observo o número de mulheres se lamentando por dores, doenças constantes e cirurgias, noto que elas não interrelacionam a doença com o motivo maior que a causou:Talvez ficando doente seja a única forma que o corpo encontra de as fazerem parar um pouco e olharem para si mesmas, para suas condições emocionais. Para terem um contato maior com o seu eu inteiro. Mas parece que passam as crises e não foi conscientizada a mensagem maior. Não estão acostumadas a lerem a informação essencial que o acontecimento lhes trouxe. Nem aprenderam a prestar atenção aos sinais com que a natureza está avisando.
Não adianta tratar do corpo com um ritmo alucinatório e depois envelhecer rapidamente pelo estresse. O estresse abre a porta da sensibilidade para o adoecimento, tira as defesas que o organismo normalmente reserva para as tarefas da vida.
Uma das grandes causas de ansiedade é se deixar de lado providências que nos deixam tranquilos depois de cumpridas. Assim, sendo uma pessoa ocupada, o indicado é retirar de uma das ações da rotina o lugar para ir ao médico e ao exame. Mas as pessoas ansiosas que não querem abrir mão de nada, colocam as ações extras e eventuais nas horas que deveriam ser de intervalo. Uma das formas de se evitar justamente o estresse é se organizar para que haja um pouco de intervalo entre uma ação e outra, porque se tudo for programado com uma hora quase em cima da outra, é certo que a agitação crescerá.
texto julho/11
APRENDENDO COM OS ÍNDIOS E A ANSIEDADE
Assistindo, mês passado, ao excelente programa Conexão Roberto D´Ávila, tive a oportunidade de ouvi-lo entrevistar o Jornalista Washington Novaes. Ele narrava sua experiência com os índios brasileiros e falou sobre uma forte característica que sempre mantiveram, mesmo às custas de perderem suas vidas, quando invadidos por estrangeiros: a liberdade. O dom de não se acostumarem a receber ordens, nem a exercerem o poder do mando e, apesar disso, seguirem normas de disciplina.
Washington Novaes observou que cada um, na tribo, tinha sua função, e não cultivavam o hábito de fazerem queixas. Deu o exemplo da relação de um casal: quando um dos parceiros notava que o outro não estava preenchendo bem suas atribuições, não reclamava direto para o companheiro: solicitava um conselho do mais sábio que, por sua vez, promovia uma reunião com toda a tribo. O assunto era colocado e, se o marido ou mulher se identificasse com o problema, “vestia a carapuça”, mudava de atitude, corrigia-se. Mas se continuasse com o mesmo defeito, não cumprindo com sua parte na relação, o cônjuge se achava no direito de se separar sem brigas ou críticas. Um exemplo expressivo de maturidade, digno de ser seguido pelas sociedades que se consideram sofisticadas...
Ninguém gosta de receber ordens, principalmente de alguém com quem convive. Nem de viver sendo criticado. Mas parece que uma força inexplicável comanda alguns comportamentos, levando principalmente os casais, pais, filhos e irmãos a desabafarem suas próprias angústias naqueles com quem convivem. Como se não aguentassem suportar a pressão que vem de dentro deles mesmos.
Observa-se, na natureza humana, uma genuína necessidade de viver em grupo, pertencer à horda, como nos ensina Freud, que considera o medo de se sentir rejeitado uma das fortes causas da ansiedade. As pessoas se unem, geram filhos, moram próximas ou junto com pais, avós, netos, justamente buscando o acolhimento e calor do afeto, mas em muitos casos, ao invés de cada um, ao registrar algum malestar interno que sofre, investigar as causas e atingir soluções, descarrega toda a pressão sobre os ombros daqueles que escolheu para compartilhar a vida. Tornando a convivência triste, desmotivadora e desastrosa.
O jornalista citou, também, a sabedoria dos índios em não repreenderem de forma agressiva as crianças. Outra lição. Se resolvemos dar filhos ao mundo, que sejam oportunidades de oferecer mais entendimento. Que possamos tornar a vida, se não uma festa constante alegria e prazer, pelo menos um campo de respeito pela sensibilidade.
Quando aprendemos, através da pesquisa de nossos problemas e defeitos, a ser pessoas melhores, o que significa um grande esforço, adquirimos a autoestima necessária para vivermos em paz conosco mesmos e podermos oferecer afeto àqueles com quem convivemos.
Assistindo, mês passado, ao excelente programa Conexão Roberto D´Ávila, tive a oportunidade de ouvi-lo entrevistar o Jornalista Washington Novaes. Ele narrava sua experiência com os índios brasileiros e falou sobre uma forte característica que sempre mantiveram, mesmo às custas de perderem suas vidas, quando invadidos por estrangeiros: a liberdade. O dom de não se acostumarem a receber ordens, nem a exercerem o poder do mando e, apesar disso, seguirem normas de disciplina.
Washington Novaes observou que cada um, na tribo, tinha sua função, e não cultivavam o hábito de fazerem queixas. Deu o exemplo da relação de um casal: quando um dos parceiros notava que o outro não estava preenchendo bem suas atribuições, não reclamava direto para o companheiro: solicitava um conselho do mais sábio que, por sua vez, promovia uma reunião com toda a tribo. O assunto era colocado e, se o marido ou mulher se identificasse com o problema, “vestia a carapuça”, mudava de atitude, corrigia-se. Mas se continuasse com o mesmo defeito, não cumprindo com sua parte na relação, o cônjuge se achava no direito de se separar sem brigas ou críticas. Um exemplo expressivo de maturidade, digno de ser seguido pelas sociedades que se consideram sofisticadas...
Ninguém gosta de receber ordens, principalmente de alguém com quem convive. Nem de viver sendo criticado. Mas parece que uma força inexplicável comanda alguns comportamentos, levando principalmente os casais, pais, filhos e irmãos a desabafarem suas próprias angústias naqueles com quem convivem. Como se não aguentassem suportar a pressão que vem de dentro deles mesmos.
Observa-se, na natureza humana, uma genuína necessidade de viver em grupo, pertencer à horda, como nos ensina Freud, que considera o medo de se sentir rejeitado uma das fortes causas da ansiedade. As pessoas se unem, geram filhos, moram próximas ou junto com pais, avós, netos, justamente buscando o acolhimento e calor do afeto, mas em muitos casos, ao invés de cada um, ao registrar algum malestar interno que sofre, investigar as causas e atingir soluções, descarrega toda a pressão sobre os ombros daqueles que escolheu para compartilhar a vida. Tornando a convivência triste, desmotivadora e desastrosa.
O jornalista citou, também, a sabedoria dos índios em não repreenderem de forma agressiva as crianças. Outra lição. Se resolvemos dar filhos ao mundo, que sejam oportunidades de oferecer mais entendimento. Que possamos tornar a vida, se não uma festa constante alegria e prazer, pelo menos um campo de respeito pela sensibilidade.
Quando aprendemos, através da pesquisa de nossos problemas e defeitos, a ser pessoas melhores, o que significa um grande esforço, adquirimos a autoestima necessária para vivermos em paz conosco mesmos e podermos oferecer afeto àqueles com quem convivemos.
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