terça-feira, 6 de setembro de 2011

texto julho/11

APRENDENDO COM OS ÍNDIOS E A ANSIEDADE

Assistindo, mês passado, ao excelente programa Conexão Roberto D´Ávila, tive a oportunidade de ouvi-lo entrevistar o Jornalista Washington Novaes. Ele narrava sua experiência com os índios brasileiros e falou sobre uma forte característica que sempre mantiveram, mesmo às custas de perderem suas vidas, quando invadidos por estrangeiros: a liberdade. O dom de não se acostumarem a receber ordens, nem a exercerem o poder do mando e, apesar disso, seguirem normas de disciplina.

Washington Novaes observou que cada um, na tribo, tinha sua função, e não cultivavam o hábito de fazerem queixas. Deu o exemplo da relação de um casal: quando um dos parceiros notava que o outro não estava preenchendo bem suas atribuições, não reclamava direto para o companheiro: solicitava um conselho do mais sábio que, por sua vez, promovia uma reunião com toda a tribo. O assunto era colocado e, se o marido ou mulher se identificasse com o problema, “vestia a carapuça”, mudava de atitude, corrigia-se. Mas se continuasse com o mesmo defeito, não cumprindo com sua parte na relação, o cônjuge se achava no direito de se separar sem brigas ou críticas. Um exemplo expressivo de maturidade, digno de ser seguido pelas sociedades que se consideram sofisticadas...

Ninguém gosta de receber ordens, principalmente de alguém com quem convive. Nem de viver sendo criticado. Mas parece que uma força inexplicável comanda alguns comportamentos, levando principalmente os casais, pais, filhos e irmãos a desabafarem suas próprias angústias naqueles com quem convivem. Como se não aguentassem suportar a pressão que vem de dentro deles mesmos.

Observa-se, na natureza humana, uma genuína necessidade de viver em grupo, pertencer à horda, como nos ensina Freud, que considera o medo de se sentir rejeitado uma das fortes causas da ansiedade. As pessoas se unem, geram filhos, moram próximas ou junto com pais, avós, netos, justamente buscando o acolhimento e calor do afeto, mas em muitos casos, ao invés de cada um, ao registrar algum malestar interno que sofre, investigar as causas e atingir soluções, descarrega toda a pressão sobre os ombros daqueles que escolheu para compartilhar a vida. Tornando a convivência triste, desmotivadora e desastrosa.

O jornalista citou, também, a sabedoria dos índios em não repreenderem de forma agressiva as crianças. Outra lição. Se resolvemos dar filhos ao mundo, que sejam oportunidades de oferecer mais entendimento. Que possamos tornar a vida, se não uma festa constante alegria e prazer, pelo menos um campo de respeito pela sensibilidade.

Quando aprendemos, através da pesquisa de nossos problemas e defeitos, a ser pessoas melhores, o que significa um grande esforço, adquirimos a autoestima necessária para vivermos em paz conosco mesmos e podermos oferecer afeto àqueles com quem convivemos.

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