quarta-feira, 14 de novembro de 2012


TEXTO AGOSTO/12>A BUSCA DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DA PSICANÁLISE - I


         Terminei o texto do mês passado informando que, em nome do ofício de terapeuta que deseja um planeta melhor, iria dar minha pequena contribuição, através desta coluna, oferecendo o esclarecimento a  um maior número de pessoas, num trabalho de popularização da psicanálise.

         Confiante de que só conseguimos viver bem e contribuir para a comunidade quando conquistamos um grau crescente de autoestima e consequente bem estar, pretendo, em palavras simples, informar o caminho percorrido da maneira mais objetiva que encontrar, no desejo de que cada leitor verifique o que pode aproveitar da minha própria experiência.

O que nos leva a buscar uma terapia?

         No início do século vinte, quando era comum considerarem as pessoas que apresentavam problemas mentais, “ sofriam dos nervos”, como se dizia popularmente, já existia, nos meios de psicologia e psiquiatria, a prática da hipnose. Foi justamente no ano 1.900 que um jovem médico de Viena lançou seu livro “ A Interpretação dos Sonhos”. Através dessa obra, Sigmund Freud abriu um horizonte de inquietação para o mundo ocidental: apresentou o fato de que não é o que pensamos que resolve o que somos e o que queremos, mas existe uma outra instância dentro de nós que, gerando nossos medos e desejos, realmente decide as direções da nossa vida.

         Contrariando, assim, a máxima de Descartes, filósofo marcante do século XVII, até então nunca questionada: Penso, logo existo, com a dedução revolucionária para o pensamento humano:

 Penso onde não sou.

         Tudo o que se prega só passa a ter valor quando provado.  Freud comprovou sua teoria ao atender   pessoas consideradas incapazes de controlar suas emoções e levar uma vida equilibrada, entre elas, principalmente, as histéricas, vítimas de surtos psicóticos, convulsões , atitudes agressivas , melancolia e paralisias. No decorrer de seus tratamentos, à medida em que se revelavam traumas perdidos na memória da infância ,  os sintomas  passaram a recuar, a se espaçar e até  a  desaparecerem.
         No início, utilizava-se da hipnose, mas sua experiência lhe mostrou que seria mais eficiente através da conversa espontânea, que  denominamos livre associação: aos poucos, aquelas experiências recalcadas desde a fase não-verbal, (quando a criança ainda só absorvia a emoção sem conseguir se expressar ), dariam sinal de sua existência  sob a atenção e entendimento do terapeuta.
          Mas Freud descobriu que era preciso ir além da   liberação dos sintomas, que havia mais no fundo desses significados. Pesquisou muito sua própria mente, trocando pesquisas também com grandes doutores da época, como Breuer e Fliess. E criou o método que  vai além da cura dos sintomas : os sintomas são como folhas de uma planta que manifestam suas condições , mas está na raiz, enterrada fundo, a causa  do seu estado físico. Podemos comparar com uma doença física comum: a dor pode ser disfarçada com um comprimido, mas o porquê do sofrimento continua lá, esperando para ser compreendido.

         Respondendo à pergunta inicial:

         Além do sofrimento, da angústia, da ansiedade, que crescem à medida em que a pessoa não dá conta de todas as responsabilidades da vida com prazer ou pelo menos naturalidade, todos que buscamos nos conhecer melhor e entender por que tomamos certas atitudes repetidamente que sempre vêm a nos prejudicar, ou que estamos há tempo tentando viver de uma forma satisfatória e todos os métodos conhecidos falharam, para nós foi criada a psicanálise. E também para aqueles que querem aproveitar o potencial de suas qualidades e talentos e precisam descobrir como lidarem com suas próprias emoções sem se deixarem desviar do alvo .

Uma resposta extra:
        
         Muitas pessoas comentam que a psicanálise é inatingível para alguns, por causa do valor exigido, e isso tem uma resposta: é preciso que o analisando invista muito do seu esforço para um trabalho que vai mudar o seu destino. Se ele perceber,  mesmo contando com poucos recursos, por descontrole se endivida ou dispersa o que tem, sob o efeito da insatisfação.

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