TEXTO AGOSTO/12>A BUSCA DO CONHECIMENTO ATRAVÉS DA PSICANÁLISE - I
Terminei o
texto do mês passado informando que, em nome do ofício de terapeuta que deseja
um planeta melhor, iria dar minha pequena contribuição, através desta coluna,
oferecendo o esclarecimento a um maior
número de pessoas, num trabalho de popularização
da psicanálise.
Confiante de
que só conseguimos viver bem e contribuir para a comunidade quando conquistamos
um grau crescente de autoestima e consequente bem estar, pretendo, em palavras
simples, informar o caminho percorrido da maneira mais objetiva que encontrar,
no desejo de que cada leitor verifique o que pode aproveitar da minha própria
experiência.
O que nos leva a
buscar uma terapia?
No início do século vinte, quando era
comum considerarem as pessoas que apresentavam problemas mentais, “ sofriam dos
nervos”, como se dizia popularmente, já existia, nos meios de psicologia e
psiquiatria, a prática da hipnose. Foi justamente no ano 1.900 que um jovem
médico de Viena lançou seu livro “ A Interpretação dos Sonhos”. Através dessa
obra, Sigmund Freud abriu um horizonte de inquietação para o mundo ocidental:
apresentou o fato de que não é o que pensamos que resolve o que somos e o que
queremos, mas existe uma outra instância dentro de nós que, gerando nossos
medos e desejos, realmente decide as direções da nossa vida.
Contrariando,
assim, a máxima de Descartes, filósofo marcante do século XVII, até então nunca
questionada: Penso, logo existo, com
a dedução revolucionária para o pensamento humano:
Penso onde não sou.
Tudo o que se
prega só passa a ter valor quando provado.
Freud comprovou sua teoria ao atender
pessoas consideradas incapazes de controlar suas emoções e levar uma
vida equilibrada, entre elas, principalmente, as histéricas, vítimas de surtos psicóticos, convulsões , atitudes
agressivas , melancolia e paralisias. No decorrer de seus tratamentos, à medida
em que se revelavam traumas perdidos na memória da infância , os sintomas
passaram a recuar, a se espaçar e até
a desaparecerem.
No início,
utilizava-se da hipnose, mas sua experiência lhe mostrou que seria mais
eficiente através da conversa espontânea, que
denominamos livre associação: aos
poucos, aquelas experiências recalcadas desde a fase não-verbal, (quando a
criança ainda só absorvia a emoção sem conseguir se expressar ), dariam sinal
de sua existência sob a atenção e
entendimento do terapeuta.
Mas Freud descobriu que era preciso ir além
da liberação dos sintomas, que havia
mais no fundo desses significados. Pesquisou muito sua própria mente, trocando
pesquisas também com grandes doutores da época, como Breuer e Fliess. E criou o
método que vai além da cura dos sintomas
: os sintomas são como folhas de uma planta que manifestam suas condições , mas
está na raiz, enterrada fundo, a causa
do seu estado físico. Podemos comparar com uma doença física comum: a
dor pode ser disfarçada com um comprimido, mas o porquê do sofrimento continua lá, esperando para ser
compreendido.
Respondendo à pergunta inicial:
Além do
sofrimento, da angústia, da ansiedade, que crescem à medida em que a pessoa não
dá conta de todas as responsabilidades da vida com prazer ou pelo menos
naturalidade, todos que buscamos nos conhecer melhor e entender por que tomamos
certas atitudes repetidamente que sempre vêm a nos prejudicar, ou que estamos
há tempo tentando viver de uma forma satisfatória e todos os métodos conhecidos
falharam, para nós foi criada a psicanálise. E também para aqueles que querem
aproveitar o potencial de suas qualidades e talentos e precisam descobrir como
lidarem com suas próprias emoções sem se deixarem desviar do alvo .
Uma resposta extra:
Muitas pessoas
comentam que a psicanálise é inatingível para alguns, por causa do valor
exigido, e isso tem uma resposta: é preciso que o analisando invista muito do
seu esforço para um trabalho que vai mudar o seu destino. Se ele perceber, mesmo contando com poucos recursos, por
descontrole se endivida ou dispersa o que tem, sob o efeito da insatisfação.

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