quarta-feira, 14 de novembro de 2012
TEXTO SETEMBRO/12:A BUSCA DO CONHECIMENTO
ATRAVÉS DA PSICANÁLISE - II
“Tudo nos falta quando nos faltamos”
Goëthe
No texto anterior, terminei comentando que Freud, ao inaugurar a psicanálise, apontou para as origens do sofrimento, enquanto a medicina e a psiquiatria da época só buscavam eliminar os sintomas. Ele descobriu a força do inconsciente na geração das patologias, primeiro, através da hipnose, e, em seguida, utilizando apenas o processo verbal. Até hoje, nas sessões, sugerimos que o paciente se deite ou permaneça sentado e fale livremente tudo o que lhe vier à mente. Este método se denomina de livre associação.
Pela livre associação, o analisando vai discorrendo sobre suas memórias, aquilo que o incomoda, suas mágoas e ressentimentos, suas inquietações antigas e recentes. E vão surgindo lembranças que fundaram situações marcantes, até um ponto em que podem desbravar descobertas úteis à solução de seus problemas. O analista, ouvindo o relato, permanece em silêncio ou apresenta suas opiniões, o que se chama pontuar. A atitude do analista se nomeia de atenção flutuante. Ele pode parecer distraído, mas sua atenção está sempre conectada com a linha de pensamento do analisando.
Observando, por exemplo, atos falhos, que são palavras pronunciadas sem intenção, significantes trocados, tudo revela algum sentido na interpretação, trazendo o inconsciente puro para ser reconhecido. Ou, ainda, interpretando o significado de sonhos, também importantes pelo fato de virem direto do inconsciente para a descoberta das razões que há muito estão atuando sobre as ações daquele sujeito.
TEXTO SET/12
Nossos Dois Lados
Uma das descobertas importantes da psicanálise, ainda em Freud, foi o fato de existirem em nós forças diferentes vindas de uma origem psicofísica e que geram nossas ações, decisões, escolhas afetivas. Explicando de forma bem simplificada, podemos afirmar que todos temos dois lados que conduzem nossa vida emocional: aquele que trabalha num sentido destrutivo, denominado pulsão de morte, e o que contribui para atingir nossos objetivos de bem-estar, o positivo, pulsão de vida. O desânimo, levando à depressão, por exemplo, representa a pulsão de morte; o entusiasmo, a alegria, atitudes de colaboração, a pulsão de vida. Mas eles não estão sempre assim separados, esta é uma forma didática de descrever. Eles já existiam na explicação da formação do mundo, em Tanatos, a força da morte, e Eros, a força do amor e da vida, na filosofia grega.
Na condição de seres humanos, corremos sempre o risco de, enganados pela ilusão de alguns desejos, nos deixarmos guiar por impulsos que dispersam o sentido de nossas verdadeiras intenções. Seria, nesse caso, a predominância da pulsão de morte sobre a pulsão de vida. A terapia vem, então, para nos revelar onde e quando atuamos contra nossa própria vontade, a que formas inconscientes estão nos comandando, a despeito de nossa vontade principal. Se observarmos, esse tema inspira quase todos os roteiros de filmes, novelas e dramas em geral: a luta para se atingir um ideal de felicidade e as forças contrárias internas e externas atuando em desfavor.
Revendo, nas sessões de análise, os acontecimentos, as perdas e os ganhos de nossa existência, vamos reconhecendo o que nós mesmos fizemos “ sem querer” para não realizar determinados objetivos, como contribuímos para desfazer uma relação amorosa, uma harmonia familiar, um empreendimento que poderia ter sido bem sucedido. Vamos, aos poucos, nos familiarizando com nossas “ forças ocultas “, e entrando na verdadeira intimidade do nosso verdadeiro “eu”.
V
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