sexta-feira, 8 de junho de 2012
Março/12
O DESAFIO DE VENCER A IMAGEM DE PERDEDOR
O trabalho do analista é favorecer a autoconfiança do analisando de forma a ele vencer a luta do seu lado positivo contra o negativo; apontando, através das narrações que ouve dele ou mesmo das queixas dos familiares, - quando se trata de adolescente -, o que faz para se sabotar sem perceber, mostrando como provoca o amor daqueles que o cercam.
Aquele que precisa sempre se certificar de que é querido, faz coisas que incomodam, falha nas promessas feitas, mantendo uma imagem negativa diante de todos com quem convive; no fundo, quer ver se o aceitam mesmo assim. Quando isso é pontuado na terapia, e se torna consciente, começa a rever suas atitudes; aos poucos, vai percebendo que estava trabalhando contra si mesmo.
Quem, em várias situações, começa a testar o limite da paciência dos outros, gasta uma energia emocional que lhe rouba forças para direcionar a mente em focos mais produtivos, como buscar uma atividade de que goste, um novo estudo, iniciar algum trabalho.
A reação para vencer a inércia, o desânimo e a desistência é um processo de desenvolvimento sujeito a recaídas, mas o terapeuta conta com essa evolução. Observa tranquilo os relatos de idas e vindas, estimula as retomadas. O mais difícil, talvez, seja a aceitação da família e do meio em que o paciente já instalou uma imagem de “sem solução”. Quem demorou algum tempo, meses, anos, às vezes, mostrando-se sem esperança de atender à expectativa dos que o amam, precisa ser alertado de que pode não encontrar acolhimento daqueles que ficaram cansados com seu comportamento. Vai precisar de uma constante vigilância na recuperação dessa imagem. O que nem sempre é fácil para quem está buscando a própria autoconfiança.
Como abordar essa aparência negativa? Conseguindo ver através da superfície, tendo fé no conteúdo que mora no fundo de cada um, esperando que se desperte o espírito. Porque, se existe uma reação, uma tristeza, uma provocação, são sintomas que significam pedidos de atenção. Como o choro de uma criança. Vamos acreditar que será despertado o ser melhor dentro daquele que está sendo tratado para, enfim, encontrar sua razão de existir. Porque não vamos ter dúvidas: o que mais dói em todos é não entender a razão pela qual existem. Precisamos saber que ele é o primeiro a sofrer muito vivendo assim. Está faltando um toque, um momento, um encontro de almas para ele reagir. Vamos confiar que essa solução virá quando ele se der conta de que não consegue nada de bom estragando sua imagem com quem lhe quer bem. Precisamos acreditar que seu lado saudável vai vencer.
Estamos buscando, juntos, um tesouro. Ainda não sabemos a profundidade em que está enterrado. Precisamos continuar cavando. Vencendo as camadas de falta de autoestima, de insegurança, de fracassos. Elas montaram uma defesa muito forte. Ele mesmo não está acostumado a acreditar que carrega um grande poder no seu mundo interno. Imaginando-se sem valor próprio, age já se sentindo não merecedor da confiança alheia. E suas reações podem ser agressão, revolta, ou simplesmente depressão, desânimo.
Desfazer essa dificuldade é nossa missão. Exige de nós a arte de deslindar um novelo todo emaranhado com as pontas em nó para dentro.
Vamos empreender essa obra.
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