sexta-feira, 8 de junho de 2012
Abril/12
ABRIR MÃO DO DESEJO OU SABER ESCOLHER?
À medida em que sentimos o tempo passar, mesmo sendo muito jovens, se não atingimos uma forma de vida desejada, parece que nunca mais vamos conseguir chegar lá. O desânimo é um convite que se instala ao nosso lado, dentro de nós.
É preciso uma determinação especial para prosseguir, pois o caminho é feito de cada vitória sobre o desânimo, desde o momento de despertar a cada manhã. Se parece mais fácil a fuga em forma de medicamento, droga, reclamação, por outro lado torna-se mais difícil a decisão de reagir e mais intensa a sensação de que não vale a pena nem tentar.
Uma força especial acompanha aqueles que não desistem. Uma bênção da vida fortalece aqueles que resolvem desafiar as dificuldades.
Essa bênção pode surgir na presença de alguém que acredita em nós, que não desiste de crer no nosso valor, que vê, como Michelangelo via, no mármore ainda bruto, a escultura do anjo já pronta.
Mas é preciso dar o primeiro passo. Ainda que não apresentemos o perfil daqueles que a maioria considera os “vencedores”, o início de tudo é sabermos que podemos ser diferentes e confiarmos na nossa individualidade. Que podemos estar “atrasados” em relação ao que a maioria chama de ‘sucesso”, mas que estamos descobrindo nossa forma de caminhar, inventando o nosso ritmo. Acreditando assim em nós mesmos , estaremos dando oportunidade para que alguns comecem a ter fé no que temos a dizer ao mundo. E todos temos um recado, um trabalho, uma missão a cumprir. Se não desistirmos, acabamos descobrindo .
Ao acontecer mais de uma oferta no nosso caminho, teremos que decidir a direção a tomar. Nossa primeira tendência será optar pelo mais fácil. Abrindo mão, talvez, do desejo de fazer o que realmente se gosta. Saber escolher exige coragem e ausência de culpa.
Culpa? Por quê culpa? Culpa, em psicanálise, se identifica quando se assume alguma posição pensando em agradar a alguém, e, no fundo, não é bem o que se deseja. Ou quando se acha que está tendo mais valor seguindo aquela situação, porque é o mais aprovado pela maioria. Ou, ainda, porque sente que, fazendo o que lhe é tão prazeroso, nem parece merecer pagamento. A culpa é uma das piores armadilhas do inconsciente e um dos inimigos que uma terapia eficiente elimina. Quando se supera essa dificuldade, a escolha está sendo feita com sabedoria.
Aqueles que conseguiram ter uma vida que lhes dá prazer de viver, e em consequência acabaram sendo reconhecidos como vitoriosos, mesmo sem buscar esse reconhecimento, foram os que seguiram seu coração, iniciaram uma atividade que amavam realizar. Mesmo sendo diferentes da maioria, mesmo levando mais tempo para se definirem. Foram aqueles que tiveram fé em si mesmos. E, se contaram com mais sorte ainda, receberam o apoio de quem acreditou neles, como escreveu Goethe:
Se você tratar um indivíduo como ele é, ele permanecerá como tal. Mas, se você o tratar como se fosse o que deve e pode ser, ele se tornará o que deve e pode ser.
Johann Wolfgang Von Goethe (1749-1832 )
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